Papa Francisco

O Rio de Janeiro se mobilizou neste mês de julho para a realização da Jornada Mundial da Juventude (JMJ) e, principalmente, para recepcionar o papa Francisco ao evento. O líder da igreja católica demostrou muita energia e bastante simpatia, apesar de alguns contratempos enfrentados.

Antecedendo a visita o papa rejeitou o papamóvel preparado com vidros blindados, fazendo questão de entrar em contato com o público. Sobre esse episódio ele declara: “Antes de viajar, fui ver o papamóvel que seria trazido para cá. Era cercado de vidros. Se você vai estar com alguém a quem ama, amigos com quer se comunicar, você vai fazer essa visita dentro de uma caixa de vidro? Não. Então eu não poderia vir ver este povo, que tem um coração tão grande, por trás de uma caixa de vidro. Ou a gente faz a viagem como deve ser feita, com comunicação humana, ou não se faz. Comunicação pela metade não faz bem.”

Jovens

Uma das declarações marcantes do papa foi direcionada aos jovens e à onda de protestos por todo o País. “Com toda a franqueza lhe digo: não sei bem porque os jovens estão protestando (no Brasil). Esse é o primeiro ponto. Segundo ponto: um jovem que não protesta não me agrada. Porque o jovem tem a ilusão da utopia, e a utopia não é sempre ruim. A utopia é respirar e olhar adiante. O jovem é mais espontâneo, não tem tanta experiência de vida, é verdade. Mas às vezes a experiência nos freia. E ele tem mais energia para defender suas ideias. O jovem é essencialmente um inconformista. E isso é muito lindo! É preciso ouvir os jovens, dar-lhes lugares para se expressar, e cuidar para que não sejam manipulados. Porque há tanta exploração de pessoas, trabalho escravo, há tantos tipos de exploração … Eu me atreveria a dizer uma coisa, sem ofender: há pessoas que buscam a exploração de jovens. Manipulando essa ilusão, esse inconformismo que existe. E depois arruínam a vida dos jovens. Portanto, cuidado com a manipulação dos jovens. Temos sempre que ouvi-los. Cuidado. Uma mãe, um pai, um filho que não escutam o filho jovem o isolam e geram tristeza em sua alma.”

Economicismo

Dentre tantos assuntos tratados, Francisco fez questão de atacar a ganância. “Este mundo atual em que vivemos tinha caído na feroz idolatria do dinheiro. E há uma política mundial muito impregnada pelo protagonismo do dinheiro. Quem manda hoje é o dinheiro. Isso significa uma política mundial economicista, sem qualquer controle ético, um economicismo autossuficiente e que vai arrumando os grupos sociais de acordo com essa conveniência. O que acontece, então? Quando reina este mundo da feroz idolatria do dinheiro, se concentra muito no centro. […] Então, para sustentar esse modelo político mundial, estamos descartando os extremos [jovens e idosos]. Curiosamente, os que são promessa para o futuro, porque o futuro quem nos vai dar são os jovens, que seguirão adiante, e os idosos, que precisam transferir sabedoria aos jovens. Descartando os dois, o mundo desaba.”

Visita do papa Francisco à comunidade de Varginha, em Manguinhos, no dia 25 de julho

O papa Francisco esteve no Brasil entre os dias 22 e 28 de julho. Sua passagem reuniu milhões de pessoas no Rio de Janeiro e em Aparecida (cidade no interior de São Paulo). Carismático, o pontífice chamou a atenção de todos pela simpatia, bebeu mate, abraçou fiéis e abençoou crianças, jovens e adultos.

Entre os compromissos da agenda papal estava a visita à comunidade carente em Manguinhos, onde o papa Francisco falou sobre corrupção. “A realidade pode mudar, o homem pode mudar. Procurem ser vocês os primeiros a praticar o bem, a não se acostumarem ao mal, mas a vencê-lo”, afirmou o pontífice.

No dia 28, o papa embarcou de volta para Roma com a promessa de retornar ao Brasil em 2017, por ocasião do aniversário de 300 anos da descoberta da imagem de Nossa Senhora Aparecida, santa padroeira do país.