Tenho dito em algumas ocasiões que ao imigrante só resta o caminho da vitória. A decisão de (re) começar a vida em outro país, com hábitos diferentes, cultura desconhecida e até uma língua estranha, só se justifica pelo total desalento provocado pela mais sórdida desesperança.
Imagine as incertezas que povoam o coração partido do imigrante. Ele aporta à terra escolhida e traz na bagagem medo, expectativa e força para trabalhar. Esta é a escolha de quem não tem mais opção. Aqui, sua família não existe mais. Seus amigos terão que ser construídos um após o outro. Suas derrotas não terão o ombro fraterno para consolá-lo, tudo porque ele é um punhado de memórias espalhado num monte de dúvidas.
Pois, saibam que este país gigante, tijolo por tijolo, foi construído por estes homens.
Por isto é difícil ficar triste quando alguém com esta trajetória nos deixa. A perda é um sentimento avassalador, mas ligado ao sofrimento. Negá-lo não vai eliminá-lo, e mascará-lo não é forma de tratá-lo. O sentimento está lá. A nós, cabe senti-lo e entendê-lo como parte da vida. Pedaços de memórias chegam e partem, algumas vezes trazendo dor, em outras um simples sorriso.
AnastassiusContudo, é na gratidão que encontro o sentimento que me conforta. Agradecer a quem não teve receio de reescrever a sua própria história. Agradecer a quem veio, viu e venceu, mas manteve a dignidade como patrimônio inegociável em todos os momentos da vida. Agradecer a quem, já aos 90 anos, há poucos dias me desafiava, zombeteiro, para tomarmos uma dose de uísque. Agradecer finalmente a quem deixou filhos e netos que tanto nos são caros.
Então, vou chorar sempre pela perda das pessoas queridas, mas vou ter sempre um sorriso brilhando por ter podido compartilhar o que foi possível quando elas estavam ao meu lado.
Por tudo isto, muito obrigado senhor Anastássios Skardanas. Tenho certeza que aquele uísque que não tomei, estará acompanhando uma boa prosa entre o senhor e o meu pai em algum cantinho do céu.

Até breve!