CLICHE

Um dos “clichês” que mais me irrita é alguém reclamando da vida sem que a vida lhe desse um pingo de razão para isso.  Caso típico do negociante que mesmo prosperando insiste em dizer que os negócios vão mal. Aliás, preste atenção, o ser humano tem uma vocação irresistível para propagar o pessimismo. São os governos que nunca prestam; a saúde que sempre poderia estar melhor; o patrão  que é um ingrato e egoísta e, a coisa vai por aí.

Rotineiramente, precisamos fazer uma faxina nas nossas mentes e jogar fora o lixo da negatividade. Muitos psicólogos sérios apontam que a “DEPRESSÃO” é o mal do século e insistem que ela é filha primogênita do pessimismo.

Talvez a nossa conversa deste mês sirva para você entender que a vida é um presente que merece ser desfrutado todos os dias.Uma senhora bem idosa, elegante, penteada e bem vestida estava de mudança para uma casa de repouso, pois seu marido, com o qual vivera quase 70 anos, havia morrido e ela ficara só.

Depois de esperar por quase duas horas no balcão da recepção, ela ainda retribuiu com um grande sorriso quando a atendente veio lhe dizer que seu quarto estava pronto.

No corredor que levava até o quarto a atendente ia descrevendo o minúsculo quartinho, inclusive com as cortinas de chintz florido que enfeitavam a janela.

 

– Ah, eu adoro essas cortinas! – disse a senhora com o entusiasmo de uma menininha que acabou de ganhar seu primeiro vestido.

– Mas a senhora ainda nem viu seu quarto …

– Nem preciso. Felicidade é coisa que você decide por princípio. E eu já decidi que vou adorá-lo – respondeu a senhora.

E, sem pressa, dando ênfase a cada frase, continuou:

– Eu tenho duas opções. Uma delas é passar o dia inteiro na cama, contando as dificuldades que tenho em certas partes do corpo que já não funcionam bem. A outra, acho mais interessante, é levantar-me da cama, agradecendo pelas outras partes que ainda me obedecem.

 

Enquanto meus olhos abrirem vou focalizá-los no novo dia e também nas lembranças que guardei para essa etapa da vida.

A velhice é como uma conta bancária. Você só retira aquilo que você guardou. Portanto deposite um monte de alegria e felicidade na sua conta de lembranças. Eu até hoje, sempre que posso, ainda faço os meus pequenos depósitos. E, se você tiver paciência, vou te dar uma receita com oito ingredientes que farão um bem enorme a sua vida:

 

  1. Jogue fora todos os números não essenciais para sua sobrevivência.
  2. Continue aprendendo. Aprenda mais sobre computador, artesanato, jardinagem ou qualquer outra coisa. Não deixe seu cérebro desocupado.
  3. Curta as coisas simples da vida. Nelas residem a essência divina.
  4. Ria sempre. De preferência muito e alto. Ria de você mesmo.
  5. Lágrimas acontecem. Aguente, sofra e siga em frente.
  6. Esteja sempre rodeado daquilo que você gosta: música, amigos, animais, família, seja lá o que for.
  7. Aproveite sua saúde. Se boa, preserve-a; se instável, melhore-a; se precária, peça ajuda.
  8. Diga a quem você ama, que você realmente o ama, em todas as oportunidades .

E, finalmente, lembre-se que a vida não é medida pelo número de vezes que você respirou, mas pelos momentos em que você perdeu o fôlego… de tanto rir; de surpresa; de êxtase; de prazer.