Quantas vezes mentimos para os outros e, até sem perceber, mentimos para nós mesmos?
Quantas vezes tratamos mal até aqueles que amamos e admiramos?
Quantas vezes nossas ações não refletem nossos verdadeiros sentimentos e, ainda assim, não nos damos conta?
Nessa edição, a nossa história aborda essas questões, e tomara que sirva para refletirmos um pouco mais sobre o
que é o verdadeiro amor e o verdadeiro bem querer.
Um pescador, num daqueles dias de sorte, pescou o salmão mais cobiçado do rio. No intuíto de fazer bonito com o Rei, ele não pensou duas vezes e falou para o seu amigo: “Vou levar esse peixão vivo para o Rei apreciar. Ele adora salmão fresco e esse exemplar é digno de frequentar a mesa do palácio”.
O salmão que tudo ouvia pensou desolado: “Bem, ainda tenho uma chance. Quem sabe o Rei, que dizem me admirar, não acaba me poupando”.
O pescador levou o peixe a casa do nobre e na porta foi interrompido por um guarda: “ O que trazes nesse embrulho?”
“Um belo salmão” respondeu orgulhoso o pescador.
Espantado com o tamanho do peixe o guarda comentou: “Isso vai ser extraordinário para deixar o Rei mais feliz. Ele é apaixonado por salmão e um com essas medidas nunca foi visto por aqui”.
Quase já sem respirar o peixe enchia-se cada vez de esperanças: “Se a maior autoridade do país gosta tanto de mim, certamente, ninguém me fará mal”.
Na cozinha, o tamanho do salmão não parava de surpreender os cozinheiros. E, após de colocado sobre a mesa onde mal cabia, o Rei foi chamado para avaliar o generoso presente que o pescador lhe oferecia. Depois de muitos agradecimentos e efusivas demonstrações de espanto e felicidade, o monarca dirigiu-se para o cozinheiro chefe e ordenou: “Tirem a cauda, cortem a cabeça e sirvam-me grelhado no almoço”.
Desesperado e num último suspiro, o salmão grita para o rei: “Por que tu mentes? Se é verdade que me amas e me admiras, cuida de mim e deixe-me viver. Na verdade você não gosta de salmão, você gosta é de você”. °