Albert EinsteinEra um final de tarde, desses bem quentes que nem os cariocas viciados em sol e calor suportam mais. Lá estava eu na minha rotina gregária, torcendo para que logo chegasse alguém e dividisse comigo aquele bafo quente que soprava da terra para o mar.
Um casal, ainda com roupas de saída de praia, tentava remediar o calor, tomando uma cerveja gelada e com uma conversa tipo “papo cabeça”, também pareciam querer fazer o tempo passar. A falta de coisa melhor para me entreter e a indiscrição dos “pombinhos” ao meu lado não me deixaram outra opção que não fosse prestar atenção na conversa alheia. (Não existe coisa mais feia, nem mais gostosa).

Lá pelas tantas, a moça se dirigiu ao rapaz e, sem que eu tivesse escutado a razão, arrematou, pausando cada palavra: “a culpa é toda sua. Nunca provoque pessoas muito inteligentes”.
Infelizmente, alguns amigos chegaram e perdi o restante da conversa. Mais tarde, em casa, as palavras daquela moça ainda estavam vivas e em cores na minha mente. Afinal, é inteligente provocar pessoas inteligentes?

Depois de muito pensar, conclui que se for inevitável, provoque. Mas, esteja preparado para as consequências. Portanto, principalmente se for em público, prefira sempre uma forma mais sutil de abordagem. Pessoas inteligentes não suportam arranhões na presença dos outros.

Veja alguns diálogos que entraram para a história por envolverem pessoas com inteligência e sagacidade acima da média:

1. Telegramas trocados entre o grande dramaturgo Bernardo Shaw e o primeiro ministro Winston Churchill, seu desafeto:
Convite de Shaw: “Tenho a honra de convidar o digno primeiro ministro para a primeira apresentação de minha peça Pigmaleão. Venha e traga um amigo, se tiver”.
Resposta de Churchill: “Agradeço convite de ilustre escritor. Infelizmente, compromissos assumidos anteriormente, impedem-me de comparecer a primeira apresentação da sua peça. Irei à segunda, se tiver”.

2. O General Montgomery, herói inglês da segunda guerra, era homenageado por derrotar Rommel na campanha da África do Norte.
Discurso de Montgomery:

– Quero ser um exemplo para as novas gerações. Não fumo, não bebo, não prevarico e sou um herói.
Churchill ouviu o discurso e com uma ponta de ciúmes retrucou:

– Que as futuras gerações saibam: Eu fumo, eu bebo, eu prevarico e sou o chefe dele.

3. Certa vez Albert Einstein recebeu uma carta da miss New Orleans, na qual a moça dizia: “Professor Eisntein, gostaria de ter um filho com o senhor. Creio que a minha comprovada beleza junto com a sua sabida inteligência, geraria a criança perfeita”.

Einstein respondeu: “Querida miss New Orleans, penso que não vai ser possível. Temo muito que o nosso suposto filho nasça com a minha beleza e a sua inteligência”.

4. Na câmara dos deputados, ainda no Rio de Janeiro, o presidente Ranieri Mazzini deu a palavra a Carlos Lacerda, representante do Distrito Federal. Rápido, o deputado Bocaiúva Cunha gritou ao microfone:

– Lá vem aí o purgante!

Risos de toda a plateia.

Lacerda, num piscar de olhos, respondeu:

– Os senhores acabaram de ouvir o efeito!
O plenário todo caiu na gargalhada, inclusive os adversários.