Arte em Fusing

Móbile de fusing foi exposto na mostra ‘Fusing – Um novo olhar sobre o vidro’, que aconteceu durante a Fesqua 2012, em São Paulo.

 

Vários ateliês já perceberam a possibilidade de explorar as sobras de vidros em suas criações e começaram a investir no processo de Vitro-Fusão para criar suas peças decorativas. Os produtos que recebem esses toques artísticos podem proporcionar uma boa margem de lucro, principalmente se forem direcionados a um público que exige e valoriza essa personalização.

Mural Caatinga

Mural Caatinga, produzido no Atelie Benini, instalado no mirante da cidade de Itaberaba (BA).

“O fusing é parte da fusão de uma ou mais placas de vidro plano, que são fundidas a uma temperatura superior a 700°”, explica Verônica Rizzo proprietária da Vidraria Artesanal, um ateliê especializado no trabalho com fusing, que existe desde 2004 no Rio de Janeiro.
Verônica Rizzo conta que optou por trabalhar com o fusing por ser uma técnica passível de se trabalhar em forno artesanal, no qual consegue desenvolver peças utilitárias, como centros de mesa e fruteiras; e peças decorativas, como relevos de parede e móbiles. Como matéria prima, ela usa tanto vidros doados por vidraçarias, quanto alguns vidros comprados, dependendo da dimensão da peça que ela fará.
A produção é feita a partir das encomendas, que geralmente são feitas pelo site. “Trabalho por encomenda, porque não dedico tempo integral na produção, visto que também dou aulas de vidraria artesanal e sou responsável pela coordenação de projetos ligados a Oficinas de Vidro”, explica Verônica.
O projeto Oficinas de Vidro surgiu em 2008, como um projeto social que tem por objetivo ensinar a população carente a manipular e reaproveitar a sucata de vidro, para que os alunos transformem o aprendizado em uma fonte de renda a fim de complementar o orçamento familiar.
O projeto é ecologicamente correto e favorece a criação de um espaço socioeducativo produtivo, promovendo o bem social. “Durante um ano de projeto é possível ensinar vidraria artesanal para 240 alunos, e dentre eles se formarão os multiplicadores que poderão dar continuidade ao projeto junto à comunidade”, ressalta Verônica. Infelizmente, no momento, ele está parado por falta de patrocínio.

Facilidade de implantação
“O fusing, propriamente dito, são retalhos de vidro que você pinta e une a uma temperatura acima de 780° C”, explica Rossana Gobbi. Dessa forma, o fusing é um termo geral que engloba várias técnicas, entre elas estão:
•    Vidro Fusão Parcial (tack fusing): Fusão até que os vidros se juntem, sem que cada placa perca sua
característica individual. A temperatura de aquecimento varia de
730° C a 760° C.
•    Vidro Fusão Total (full fusing):
Fusão de duas ou mais placas de vidro, aquecendo-as até que elas fluam juntas. A temperatura de aquecimento varia de 790° C a 835° C.
•    Slumpling: Moldar o vidro colocando-o em um molde
“Hoje o interesse e difusão desta técnica [fusing] está bem crescente devido ao seu acesso mais facilitado por necessitar de uma estrutura menor se comparada as outras técnicas vidreiras”, comenta Gustavo Benini, artista plástico do Ateliê Benini.

Prato de fusing

Prato de fusing produzido no Ateliê Azzurro.

Rossana Gobbi, proprietária do Atelier Azzurro, trabalha com vidro desde 2003 quando abriu o ateliê especializado na técnica do fusing. “Escolhi o fusing por ser uma técnica que não requer grandes gastos em equipamentos e material”, conta.
Geralmente, Rossana produz cerca de 200 peças por mês, entre produtos utilitários e para decoração interna e externa, além de luminárias e revestimentos personalizados. Além de produzir as peças, Rossana também dá cursos de fusing: módulo básico, avançado, bijuteria de vidro, revestimento e reciclagem. “Cada curso tem carga horária diferente, mas  durante a semana são cinco dias de 3 horas ou final de semana intensivo sábado e domingo o dia inteiro”, explica.
Assim como ela, Verônica Rizzo optou por trabalhar com fusing por ser uma técnica mais acessível. Entre 2002 e 2006, ela fez dois cursos para melhor trabalhar com o vidro, um deles foi no Espaço Zero, um local em São Paulo que funciona como ateliê de arte e centro de ensino. “Nós trabalhamos com várias técnicas, como sopro em cana, sopro em tocha (maçarico), casting e vitral. O Fusing é a técnica mais acessível, pois o forno não é caro e o aluno pode, rapidamente, começar a produzir em sua própria casa”, explica Elvira Schuartz, artista responsável pelo Espaço Zero.
O Espaço existe há 23 anos, e os cursos começaram a ser fornecidos há 21. “Mais de 2 mil alunos já passaram por ele. Já tivemos cursos em grupo e com períodos definidos. Atualmente só trabalhamos com módulos individuais”, conta Elvira. Durante as aulas, que são dividas em partes teóricas e práticas, os alunos aprendem a cortar o vidro, fazer formas, pintar e controlar o forno.
Além de ministrar as aulas, Elvira também produz peças artísticas. “Os centros de mesa grandes são os que têm mais demanda. Cerca de 20 peças por mês”, conta. Depois de prontos, os produtos são comercializados em São Paulo e no Rio de Janeiro.

Técnica e Estilo
“Eu já trabalhava com pintura e desenho quando conheci o trabalho do vidreiro Roberto Bonino no ano de 1995.  Quando fiz minhas primeiras peças no curso, tive a certeza que este material me encantava, daí nunca mais parei”, relembra Gustavo Benini artista plástico do Ateliê Benini, que existe há 15 anos, em São Paulo. Sua principal técnica de trabalho é o fusing, e, dentre os trabalhos que ele oferece em seu ateliê, os mais procurados são os projetos de vitrais e murais.
70% do vidro usado são comprados da distribuidora, os outros 30% são sobras de vidraçarias. “Cada projeto tem suas especificações”, afirma Benini. No geral, ele usa vidros de 2 e 5 mm para criar as peças e raramente trabalha com placas maiores do que 1 x 1 m, apesar de estar montando um forno grande de 240 x 110 cm, que pretende usar para criar chapas decoradas para serem laminadas e usadas em fachada e decoração.
Atualmente, a produção mensal do ateliê varia de 40 à 150 m² para vidros artísticos e de 50 à 200 m² para revestimentos. Os produtos são vendidos em todo o país, mas o artista plástico admite que o maior público consumidor ainda se concentra no estado de São Paulo.

Um novo olhar sobre o vidro
A Feira Internacional do Vidro (Vitech) dedicou um espaço de 80 m² para expor peças com fusing. A mostra ‘Fusing – Um novo olhar sobre o vidro’, coordenada pelo artista Loire Nissen, reuniu trabalhos de artistas vidreiros que utilizam a técnica de vidro fusão para transformar o vidro comum em peças decorativas.
Segundo a organização do evento, o aspecto positivo da mostra foi a contribuição social e ambiental dessa técnica, pois a matéria-prima usada na elaboração dos produtos é originária de sucatas coletadas em vidraçarias, garrafas descartadas e bares.
A Vitech completou sua 2ª edição, em 2012, e aconteceu juntamente com a Feira Internacional de Esquadrias, Acessórios e Componentes (Fesqua), entre os dias 17 e 20 de outubro, em São Paulo. Neste ano, os visitantes do setor vidreiro acompanharam as novidades dos 50 expositores do setor vidreiro que, além de expor diversos tipos de vidros para novos usos e aplicações, mostraram as últimas tecnologias em máquinas de produção, equipamentos de acabamentos, puxadores e ferragens para vidros.

Painel Aeroporto

Painel de fusing, de dimensões 240 x 580 m, produzido no Atelie Benini, foi instalado no aeroporto de Cumbica (SP), em 2004.

 

Um novo olhar sobre o vidro
A Feira Internacional do Vidro (Vitech) dedicou um espaço de 80 m² para expor peças com fusing. A mostra ‘Fusing – Um novo olhar sobre o vidro’, coordenada pelo artista Loire Nissen, reuniu trabalhos de artistas vidreiros que utilizam a técnica de vidro fusão para transformar o vidro comum em peças decorativas.
Segundo a organização do evento, o aspecto positivo da mostra foi a contribuição social e ambiental dessa técnica, pois a matéria-prima usada na elaboração dos produtos é originária de sucatas coletadas em vidraçarias, garrafas descartadas e bares.
A Vitech completou sua 2ª edição, em 2012, e aconteceu juntamente com a Feira Internacional de Esquadrias, Acessórios e Componentes (Fesqua), entre os dias 17 e 20 de outubro, em São Paulo. Neste ano, os visitantes do setor vidreiro acompanharam as novidades dos 50 expositores do setor vidreiro que, além de expor diversos tipos de vidros para novos usos e aplicações, mostraram as últimas tecnologias em máquinas de produção, equipamentos de acabamentos, puxadores e ferragens para vidros.