Vidro Impresso

Ambiente com vidro impresso foi um dos espaços da Casa Cor Campinas

Os dois fabricantes nacionais de vidros impressos,Saint Gobain-Glass e União Brasileira de Vidros (UBV), enfrentaram um mercado difícil em 2012. A situação promete ser melhor neste ano que se inicia, mas requer atitudes de toda a cadeia produtiva, segundo a visão dos comandantes das duas empresas, Luiz Fernando Tirone e Sérgio Minerbo. Acompanhe as reportagens.

Luiz Fernando Tirone - Saint Gobain-Glass

Luiz Fernando Tirone
Saint Gobain-Glass

O que fica do ano de 2012 na memória da Saint Gobain Glass?
O ano de 2012 foi um ano que ficou aquém das nossas expectativas. Tivemos um primeiro semestre bastante difícil. A partir das ações tomadas pelo Governo – de uma significativa redução da taxa de juros e também dos incentivos fiscais para alguns dos segmentos da economia – vimos um segundo semestre com algum crescimento, então no fechamento do ano verificamos uma ligeira melhora. Imaginamos que como reflexo ainda dessas ações tomadas iremos ter um primeiro semestre de 2013 num patamar mais atrativo para todo o setor vidreiro.

E falando especificamente do vidro impresso? Perdeu ou ganhou mercado em relação ao float?
Podemos dizer que o vidro impresso não concorre diretamente com o float, ele é um vidro que está dentro de um dos segmentos do mercado do vidro plano. E você vai sempre usar o vidro impresso nas aplicações que requeiram privacidade. Então a solução econômica mais viável para quando se deseja a privacidade é a aplicação do vidro impresso. Obviamente esse produto tem passado por uma transformação muito grande ao longo dos últimos anos. Hoje temos diversos padrões extremamente sofisticados. E temos também padrões que podem ser transformados com uma qualidade excepcional.

E a Saint Gobain-Glass, no que ela evoluiu, no que ela investiu?
Tivemos ao longo de 2012 um investimento bastante significativo. Ampliamos a capacidade de nosso forno e também aumentamos o nível de automação de nossa linha. Hoje nós temos robôs no final da linha que nos permitem trabalhar com uma agilidade bastante grande. Com isso aumentamos nossa capacidade em cerca de 15%.

A companhia tem várias unidades em outros países. Daria para nos dizer como está o mercado mundial?
O mercado europeu tem passado por imensas dificuldades, e demanda bastante ruim. Então, estamos com capacidade ociosa de nossas fábricas no exterior, principalmente na Europa, e isso, por outro lado, facilita trabalharmos com produtos que viriam a complementar a nossa linha. Por exemplo, o Master Glass, que é um produto que complementa a linha Decor Lite, é produzido pela nossa unidade alemã. No caso dos vidros impressos temos tido bastante êxito na gestão do volume de importados, ou seja, temos conseguido trabalhar bastante com os importadores a ponto de não justificar a importação dos vidros impressos.

Você acredita, então, que 2013 será melhor para o ramo?
Vamos entrar em um ano com uma taxa de juros bastante competitiva e seguramente isso vai ajudar todo o setor a aumentar o volume de suas operações.

Algum lançamento para este novo ano?
A Saint Gobain já tem alguns lançamentos programados para este início de 2013. Vamos lançar um novo vidro espesso, que tem a mesma simetria que a linha Master Glass e que irá ser produzido em nossa unidade aqui no Brasil. Trata-se de um padrão criado aqui pensando no mercado brasileiro. Complementando, teremos outros lançamentos em vidros de baixa espessura (de 3 e 4 mm)para serem utilizados especificamente no segmento moveleiro.

Sérgio Minerbo - União Brasileira de VidrosSergio Minerbo
União Brasileira de Vidros (UBV)

Que lembranças a UBV guardará de 2012?
A de um ano difícil e desafiador, que nos propiciou novas ideias e formas de repensar o posicionamento de alguns produtos e planejar novas ações para enfrentar o cenário.

Neste ano de 2012 a UBV avalia que o mercado, como um todo, evoluiu, ficou estagnado ou retrocedeu na comparação com os anteriores?
Para o segmento do vidro impresso, avaliamos que o mercado ficou estagnado em termos de volume e com condições comerciais adversas.

Vocês  acreditam que, com quatro fabricantes atuando na área de float, incluindo a AGC e a CBVP,  poderá haver queda na importação de vidros devido à maior disponibilidade e variedade?
Creio que o mercado prefere comprar localmente do que importar.  O risco é menor, não é necessário pagar antecipado e aguardar que o produto seja embarcado, navegue, etc. E quanto mais valor agregado tiver o produto, mais importante é ter o fabricante por perto. Acredito que as importações irão diminuir já que o Brasil será autossuficiente.

Como os novos players podem chegar para somar e valorizar ao invés de prejudicar o mercado como um todo?
Os novos players já chegaram! A postura tem sido de desenvolver o mercado e a cadeia como um todo, oferecendo bons produtos, bom serviço, enfim, agregando e não prejudicando. Evidentemente haverá uma adequação de participação no mercado e acho que boa parte do espaço virá do próprio crescimento bem como da redução das importações.

Em quanto a crise internacional prejudicou o desempenho do mercado em 2012?
A crise nos afetou pelos seus reflexos.  Com a diminuição da demanda na Europa, EUA e China, a oferta de vidro se voltou para o Brasil. Isso pressionou os preços num ano em que os custos da indústria não pararam de subir. Houve dissídio em percentuais elevados. Tivemos aumentos seguidos do Gás Natural, insumo básico das usinas, bem como encarecimento da logística. Tudo isso também afetou as margens do distribuidor e do beneficiador. Creio que haverá um ajuste de custos e preços ao longo de 2013. A cadeia precisa ser saudável em termos de rentabilidade ou não conseguirá pagar os investimentos realizados nos últimos anos.

Qual o conselho que a UBV gostaria de passar aos empresários do setor vidreiro para 2013?
Todo empresário busca a longevidade e lucratividade no seu negócio.  Por isso, meu conselho é que trabalhem pensando no que é bom para a empresa no médio e longo prazo, sem descuidar do curto prazo. As decisões devem levar em conta o futuro, não apenas o amanhã. O bom no curto prazo pode ser o veneno do longo prazo.