Presentes em claraboias, passarelas, guarda-corpos e até mesmo nas fachadas, os vidros vêm sendo muito explorados na construção civil, principalmente, nos empreendimentos de shopping centers, nos quais os arquitetos veem nesse tipo de material uma solução ecológica e simples para promover a comunicação entre o ambiente interno (do shopping) com o externo (contexto ao redor da construção).
Entre o final de 2012 e 2013, estão previstas 64 inaugurações no setor, sendo que sete desses empreendimentos serão construídos no Rio de Janeiro. O estado já possui 56 unidades nesse segmento. De forma geral, a maior parte dos novos shoppings está sendo construída em cidades com até 500 mil habitantes.

Shopping Pátio Alcântara

Perspectiva do pátio externo do Shopping Pátio Alcântara

Park Lagos

Park Lagos

Instalações do Park Lagos

Quem viajar para o Rio Negócio Vidro verá, na região dos lagos, por exemplo, as obras iniciais do Shopping Park Lagos. Serão usados 4.250 m² de vidro. O prédio está sendo construído pela João Fortes Engenharia, em um terreno de 100 mil m² que fica às margens da Lagoa Araruama. O empreendimento terá 38 mil m² de área construída e 198 lojas. Ele deve ser inaugurado em novembro de 2013.
A obra começou em abril de 2012. No momento, 95% do terreno já foi aterrado. A equipe de operários também já fez 30% da fundação do shopping, considerada uma das mais longas, com média de cinco meses de duração.

No projeto do shopping, estão previstas diversas claraboias, que vão explorar a iluminação natural, e um piso de vidro especial em um dos halls principais, onde estarão expostas réplicas de algumas das descobertas arqueológicas da região. “As especificações dos vidros foram feitas visando a eficiência dos mesmos em relação ao projeto de climatização. Buscou-se a otimização dos equipamentos de ar condicionado e consumo de energia elétrica”, explica Leonardo Neves, gerente de negócios da construtora. Assim, entre os vidros escolhidos para compor o projeto estão: laminado, laminado refletivo e duplo insulado. Confira as especificações solicitadas:

• Marquise de Entrada: vidro verde laminado Float 12mm (2x6mm PVB transparente).
• Fachada em vidro (entrada): vidro laminado verde float sem reflexão 10mm PVB transparente.
• Claraboias: Vidro laminado verde reflecta float 10mm PVB opaco; Incolor 6mm; PVB Polar White; Reflecta Verde 4mm.
• Piso Praça Sambaqui: Vidro incolor 40mm PVB transparente
• Claraboia Praça de Eventos: Vidro laminado reflecta Float verde com PVB opaco
• Acesso a Restaurantes e Bares (fachada): Vidro verde laminado Float 12mm (2x6mm PVB transparente)
• Para Fachadas dos restaurantes: vidro cool lite SKN 154
• Praça de Alimentação: Vidro Duplo (Insulado) – Verde 4mm, PVB incolor, Cool Lite 154 SKN 6mm, Câmara AS 12mm, PVB incolor, Incolor 4mm

Os vidros foram bem explorados nesse projeto para conectar a arquitetura do empreendimento à paisagem local, permitindo uma integração dos clientes do shopping com a lagoa. “O vidro é o elemento que permite este resultado mantendo a temperatura interna agradável. Ao caminhar pelos malls (corredores), os usuários têm contato visual com a paisagem”, explica Neves. Além disso também foram usados espelhos d’água (internos e externos), como se a água da Lagoa, que os consumidores estão vendo, estivesse presente no interior e ao redor da construção.

A João Fortes Engenharia está há 62 anos no mercado, sendo responsável por mais de 400 edificações comerciais e residenciais, espalhadas pelo Brasil. Em 2011, a empresa inaugurou seu primeiro shopping, em Blumenau, e em dezembro do ano passado, anunciou seu terceiro empreendimento na área, o Shopping Park Sul, que será construído em Volta Redonda, às margens da Rodovia dos Metalúrgicos. Em todos os projetos, a construtora usa bastante vidro, e o gerente de negócios explica o porquê: “O vidro, além da transparência, traz cor e brilho às edificações, é um elemento capaz de integrar os ambientes internos e externos, é uma superfície que, conforme a luminosidade do dia permite efeitos diferentes às fachadas. Tem a durabilidade e resistência necessária aos empreendimentos de qualidade que nos propomos a propiciar aos nossos clientes”.

Caixa fechada já era

Desde o final dos anos 1990, os shoppings brasileiros vêm passando por uma readequação de layout. Segundo a Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce), os novos conceitos de empreendimentos no Brasil, como o open mall (corredor aberto), defendem a entrada de luz natural nos shoppings e lojas abertas para jardins e ruas.
Essa realidade foi confirmada também pelo trabalho do arquiteto Paulo Baruki, que durante entrevista para a revista Sincavidro (confira na próxima edição) afirmou que o conceito do shopping como uma caixa fechada, onde o consumidor não tem noção do tempo, nem do espaço ao seu redor não existe mais.
Um exemplo disso é o Pátio Alcântara, um empreendimento da ABL Shopping que está sendo construído em São Gonçalo, e conta com 900 m² de vidro. A construção possui grandes vidraças laterais que possibilitam ao consumidor do shopping enxergar as pessoas que andam pelo calçadão de pedestres. Dessa forma, os dois públicos podem se interagir. “Como o pátio está sendo construído no grande centro de Alcântara, a intenção foi criar uma praça de convivência. Ele reconstruiu na cobertura uma praça física, mas as outras praças do pátio se comunicam visualmente com o calçadão”, explica Baruki, arquiteto responsável pelo projeto.

[gn_box title=”Boom de Shoppings” color=”#505639″]O primeiro shopping inaugurado no Brasil foi o Iguatemi (SP), em 1966. Desde então, esse segmento vem crescendo consideravelmente, em termos de faturamento e empregos gerados. “Ao término de 2011, o mercado de shopping centers contava com 430 empreendimentos em operação no Brasil e ultrapassava a marca dos 10 milhões de metros quadrados em área bruta locável (ABL), empregando 775 mil pessoas”, conta Luiz Fernando Veiga, presidente da Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce). O mercado de shopping centers é responsável por 18,3% do varejo nacional e por 2% do Produto Interno Bruto (PIB). Em 2011, o setor movimentou R$ 108 bilhões. E para 2012, a previsão é que esse número chegue a R$ 121 bilhões, 12% a mais do que no ano passado. “Alguns fatores contribuíram para o crescimento das vendas dos shoppings centers neste período, entre eles, as medidas adotadas pelo governo como a redução dos juros e a manutenção de boas condições para renda e emprego, que devem ainda contribuir para o desempenho equilibrado e ascendente durante os próximos meses”, afirma o presidente da Abrasce.[/gn_box]