Linha Float AGCA próxima feira Glass South América, que será realizada no mês de maio, em São Paulo, será um marco do acirramento da concorrência entre fabricantes de vidro float pela conquista do mercado brasileiro. A japonesa Asahi Glass Company (AGC), a japonesa e francesa Cebrace, a americana Guardian e a brasileira Companhia Brasileira de Vidros Planos (CBVP) estarão com estandes montados no local para conquistarem a preferência dos empresários vidreiros, incluindo transformadores, distribuidores e vidraceiros.
Nesta edição, entrevistamos os comandantes de três fabricantes: Evandro Costa, da Guardian, empresa que já atua no país com duas unidades produtivas há mais de uma década; Paulo Drummond, da CBVP, empresa que está sendo implantada no Nordeste e ligada ao tradicional grupo Cornélio Brennand; e Davide Cappellino, responsável pela implantação do forno da AGC na cidade de Guaratinguetá, em São Paulo. Eles falaram dos planos e estratégias de suas empresas e transmitiram à reportagem bastante otimismo para este ano de 2012. Na próxima edição completaremos esta série publicando uma entrevista com os comandantes da Cebrace, que não puderam nos responder até o fechamento.

AGC INICIA TERRAPLANAGEM
A multinacional japonesa AGC já opera no país com o nome AGC Vidros do Brasil. Obteve autorização do Ibama, abriu um escritório na cidade de Guaratinguetá (SP) e já iniciou a terraplanagem do terreno para instalação de sua primeira unidade por aqui. Quem está no comando dessa implantação é o italiano Davide Cappellino, que nos concedeu a entrevista reproduzida aqui.

Quais as novidades do grupo para este ano de 2012?
Davide Cappellino: Será um ano fundamental para a consolidação da empresa aqui no País. Por um lado, vamos avançar e muito na construção do nosso complexo na cidade de Guaratinguetá visando o início das operações em meados de 2013 que, aliás, conta com a utilização das mais avançadas tecnologias disponíveis e, inclusive, assegurando o investimento necessário em meio ambiente para exceder a legislação vigente. Por outro lado, também já iniciamos nossos esforços comerciais com produtos e soluções diretamente da Europa, garantindo, desde já, um alto padrão de qualidade.

Como o Grupo vê o potencial do mercado do estado do Rio de Janeiro?
O mercado de vidro do estado do Rio de Janeiro é, sem dúvida alguma, de suma importância para a AGC. Não apenas pelo potencial de consumo desse estado, pelo fato de sediar os próximos grandes eventos esportivos – Copa do Mundo em 2014 e Olimpíadas em 2016 –, mas principalmente por se tratar de um mercado extremamente consolidado, profissional e muito exigente. Para isso, a AGC destacou profissionais altamente qualificados para levar com excelência os produtos e soluções da AGC. Aliás, essa também é uma das razões da AGC se instalar na cidade de Guaratinguetá, no interior de São Paulo: relativa proximidade e facilidade de acesso ao estado do Rio de Janeiro pela Rodovia Presidente Dutra.

A construção de novas unidades produtivas e inaugurações de centros de distribuição por parte da Cebrace, CBVP e da Guardian prejudicam os planos de instalação da AGC no Brasil?
De maneira alguma. Hoje em dia, além do crescimento natural do mercado e do baixo consumo per capita já mencionado, o mercado brasileiro tem importado grandes quantidades de vidro. Com a chegada da AGC e a expansão das demais, as indústrias de base vão naturalmente atender essa demanda e facilitar os negócios para os clientes. A partir desse cenário, a AGC acredita que os seus clientes a diferenciarão das demais a partir do reconhecimento da sua qualidade, serviços e família de produtos, tanto no segmento de construção,quanto no automotivo.
Quais os investimentos previstos para este ano no Brasil?
Em 2012, manteremos nossos investimentos concentrados na construção da nossa planta que é a nossa prioridade. Vale lembrar que trata-se de um investimento de mais de R$800 milhões num complexo “estado da arte” para a produção de vidro float, espelhos e automotivos. Entretanto, com o início dos nossos esforços comerciais, também já iniciamos nossos investimentos nessa área e em Marketing para, por exemplo, garantir a construção da marca AGC no mercado brasileiro, além de outras iniciativas.

Como a AGC vê a atuação dos sindicatos patronais, como o Sincavidro? Tem planos de apoiar suas iniciativas de profissionalização do setor?
Desde já, a AGC reconhece a importância da atuação dos sindicatos patronais para a profissionalização do setor, que servem de instrumento para o desenvolvimento, de maneira especial, do setor vidreiro. Por isso, a AGC coloca-se a disposição desses sindicatos, como, por exemplo, o Sincavidro, para apoiar todas as iniciativas que estiverem ao seu alcance. Aliás, não apenas “apoiar” essas iniciativas: a AGC acredita que pode contribuir e muito com o mercado e, por isso, deseja construir e realizar juntos.

Como será a participação da AGC nesta próxima edição da feira Glass South America?
A AGC entende que a Glass South America é a mais importante feira de tecnologia e design em vidros em toda a América Latina. Por isso, a AGC escolheu justamente essa feira para se apresentar oficialmente ao mercado brasileiro. Desde já convidamos todo o mercado a nos visitar, sejam distribuidores, processadores, arquitetos, engenheiros, construtoras, enfim, para conferir de perto nossos produtos e soluções e se encantar com as nossas inovações e produtos recém lançados no Japão e na Europa.

CBVP EM OBRAS
A CBVP já iniciou as obras de sua primeira unidade e anunciou a intenção de instalar uma unidade produtiva também na região Sudeste. A companhia já está operando um Centro de Distribuição (CD) em Pernambuco e pretende inaugurar outro no estado de São Paulo até o mês de março. Na entrevista a seguir, o presidente da companhia, Paulo Drummond, passa um pouco da visão da empresa para este ano.
Quais as novidades da CBVP para este ano de 2012?
Paulo Drummond: A prioridade para este ano de 2012 é a implantação da CBVP. O ritmo de construção está bastante acelerado e, ainda neste trimestre, concluiremos a etapa de estaqueamento e drenagem, dando início à fase da edificação da planta industrial. Além disso, intensificaremos a comercialização dos produtos importados por meio da operação dos Centros de Distribuição (CDs).

Como a CBVP vê opotencial do mercado do estado do Rio de Janeiro?
O Rio de Janeiro já é um dos estados de maior consumo de vidros planos do País e acreditamos que o bom momento que este estado vive contribuirá para um crescimento com taxas acima da média de consumo.

Quais os investimentos previstos para este ano no Brasil?
Todos aqueles previstos no plano de investimentos da fábrica, uma vez que ela começará a operar no início de 2013.

Como a CBVP pretendeconquistar os distribuidores  de vidros nacionais?
Isto é uma questão estratégica e não gostaríamos de divulgar.

Como a CBVP vê a atuação dos sindicatos patronais, como o Sincavidro? Tem planos de apoiar suas iniciativas de profissionalização do setor?
Vemos os sindicatos de forma positiva e construtiva, com uma missão de extrema importância, que é trabalhar para o aumento da base de consumo, capacitar profissionais e promover o ordenamento técnico. Pretendemos sim dialogar com todas as entidades representativas do setor de modo a mantermos sempre um relacionamento bastante harmônico.

O que mudará no mercado quando este passar a contar com quatro fabricantes de vidros em operação?
A concorrência é sempre saudável para toda a cadeia. Acreditamos que, em um futuro próximo, o setor de vidros planos se desenvolva e haja uma melhor oferta de produtos e serviços para os clientes.

Como será a participação da CBVP nesta próxima edição da feira Glass South America, em São Paulo?
Esta será a nossa primeira exposição em feiras do setor. Sabemos da importância do evento e teremos uma grande oportunidade para estarmos mais próximos dos nossos clientes e fecharmos grandes negócios.

GUARDIAN COM NOVO TIME
Com a aposentadoria do presidente mundial Russ Ebeid, o comando da multinacional foi assumido por Scott Thomsen, que ocupava recentemente a posição de vice-presidente de divisão na América do Norte, agora ocupada por Mark Lacasse.
Já a vice-presidência da América Latina é ocupada agora por Dana Partridge, que está há 18 anos na Guardian e tem larga experiência em mercados emergentes na Ásia. E, em função da entrada em operação da segunda planta e da crescente participação da Guardian em novos segmentos no mercado brasileiro, foi unificado o gerenciamento da empresa no país por meio da figura de um diretor geral, posição assumida por Evandro Costa, que está há 15 anos na Guardian e possui vasta experiência no Brasil e em outras plantas da América Latina.
É Evandro quem nos concede a entrevista a seguir, enumerando as novidades para este ano:

Quais as novidades da Guardian do Brasil para este ano de 2012?
Evandro Costa: A nossa linha SunGuard e ClimaGuard, vidros de controle solar e eficiência energética comercial e residencial, ganhará mais dois novos produtos. Ampliação no portfólio de vidros para interiores com mais opções de vidro acidato (linha SatinDeco); novas versões de produtos da linha DiamondGuard; e vidros da linha DecoCristal (vidro pintado) que passam a ser produzidos em Porto Real.

Como o Grupo vê o potencial do mercado do estado do Rio de Janeiro?
O Rio de Janeiro tem condições de crescer acima da média nacional em função dos eventos que vai sediar. Sempre apostamos no Rio e os investimentos na nossa planta de Porto Real são uma evidência da nossa confiança no potencial desse mercado.

Quais os investimentos previstos para este ano no Brasil?
Lançar novos produtos, ainda que seja somente uma ampliação de portfólio, requer muitas horas de pesquisa e desenvolvimento até sermos capazes de produzir em escala industrial. A nossa linha de coater será capaz de produzir vidro baixo emissivo (low-e) com dupla camada de prata ainda no primeiro semestre de 2012 (já produzimos o low-e convencional desde 2010). A capacidade instalada de produção de jumbos dobrará em Tatuí além de uma linha com capacidade para espelhar jumbos. O armazém de Fortaleza terá sua capacidade de expedição duplicada nos próximos dois meses. A incorporação de novas tecnologias de fusão no nosso processo produtivo permitirá o aumento de produção nas corridas de vidro colorido durante esse ano de 2012.

Unidade produtiva da Guardian em Tatuí

Como a Guardian vê a atuação dos sindicatos patronais, como o Sincavidro?
Minha mais alta estima pela pessoa do Fernando à frente do Sincavidro.
Destaca-se a atuação do Sincavidro nas iniciativas de profissionalização e qualificação da mão de obra para o setor vidreiro no Estado do Rio.

O que mudará no mercado quando este passar a contar com quatro fabricantes de vidros em operação?
A expectativa deve ser a mesma de quando o mercado passou a contar com dois fabricantes (no momento que entramos há 15 anos): concorrência saudável em benefício dos clientes.
Como será a participação da Guardian nesta próxima edição da feira Glass South America?
Estamos muito honrados de voltar a ter um stand na Glass South America e faremos o nosso melhor para ter um espaço acolhedor e prestigiar nossos clientes e amigos durante a feira.

Qual o conselho que a Guardian gostaria de passar aos empresários do setor vidreiro para este ano de 2012?
Ao invés de dar um conselho, eu gostaria de compartilhar uma de nossas visões: a mudança necessária no papel que o vidro cumpre na construção civil. Nenhum material tem um apelo de sustentabilidade tão forte quanto o vidro: 100% reciclável e soluções disponíveis em vidros de controle solar e eficiência energética. Convido o setor como um todo a explorar mais essa vantagem do vidro frente aos outros materiais.