A saturação imobiliária das áreas comerciais nas grandes capitais está impulsionando o crescimento do Retrofit no Rio de Janeiro. Só o centro da cidade concentra 70% dos escritórios da cidade, então a disputa por um espaço no setor corporativo acaba sendo grande.
O termo retrofit define diversos níveis de restaurações. Desde o retrofit somente de fachada a uma reforma e modernização de grande alcance do imóvel, na qual sua estrutura é totalmente renovada, incluindo ligações elétricas e hidráulicas.

Nesse caso até mesmo pequenos desníveis no pé-direito dos andares, resultado da ação do tempo, são corrigidos com o alinhamento das lajes.
O prédio que passa por um retrofit fica como se fosse recém-construído, embora mantenha as características arquitetônicas do projeto original. Há várias vantagens em submeter um prédio antigo ao retrofit em lugar de demoli-lo e construir um novo. A primeira delas é que em comparação a um empreendimento erguido do zero, a obra é mais rápida, durando em média de 12 a 18 meses. Em segundo lugar vem o quesito preço, já que uma reforma desse tipo custa, no máximo, R$ 3,5 mil por metro quadrado, entre 40% e 60% do valor gasto em uma construção nova. Economiza-se também ao evitar os gastos com demolição. Sem contar que leis recentes de zoneamento que limitam a área construída não se aplicam ao prédio recuperado. E, após a finalização das obras o preço de aluguel e venda alcança a média de mercado da região.
O negócio tem dado tão certo que as grandes incorporadoras e construtoras mantêm em suas equipes olheiros encarregados de garimpar imóveis que na maioria das vezes acabam sediando empresas pertencentes a grandes grupos. De acordo com uma reportagem publicada em maio pela revista Veja, em 2011 os cariocas ganharam 55.800 metros quadrados de prédios renovados por meio do retrofit, 37% do total da metragem inaugurada na cidade. Nos últimos cinco anos, o crescimento no ritmo desse tipo de obra no Rio de Janeiro foi de 17% ao ano.
O cenário econômico favorável do Rio de Janeiro em função dos grandes eventos esportivos segue refletindo no mercado imobiliário. De acordo com pesquisa da Colliers International Brasil, referente ao primeiro trimestre de 2012, ocupar um escritório de alto padrão na Cidade Maravilhosa está 10,4% mais caro, com preço médio de R$ 174,5 m² / mês.
Com exceções das regiões Centro e Copacabana, todas as outras apresentaram elevação do preço médio pedido, sendo que áreas como Botafogo e Flamengo estão com os preços próximos a R$ 200 o m² / mês, o que era característica exclusiva da região Leblon / Ipanema. Os aumentos acima da média na zona Sul do Rio de Janeiro são explicados em parte pela falta de oferta nesses locais.

Hotel Gloria: do lobby se terá vista da piscina com fundo de vidro

O vidro no Retrofit
Atualmente está em andamento o projeto de reforma do Gloria Palace Hotel, assinado pelo arquiteto Hamilton Casé, do escritório de Paulo Casé. O projeto de design e interiores segue o estilo contemporâneo e está sendo desenvolvido por Jeffrey Beers, arquiteto americano conhecido por trabalhados realizados em grandes hotéis do mundo, como o Tokyo Hilton, na capital japonesa, e Fontainebleau, em Miami.
Projetado para oferecer conforto, segurança e tecnologia de ponta aos hóspedes, o Gloria Palace Hotel, que pertence ao grupo EBX, será compatível com os 10 melhores hotéis do mundo.
A clássica fachada de 1922, que sofreu alterações em reformas promovidas nas décadas de 60 e 70, será revitalizada e preservada, de acordo com as orientações da subsecretaria municipal de Patrimônio, e devidamente licenciada pela secretaria de Urbanismo.

RB 115 foi modernizado preservando as linhas curvas da fachada

O início das operações do hotel está previsto para o primeiro semestre de 2014. Fotos em perspectiva no site dão uma ideia de como ficará o prédio, que é um dos mais antigos do Rio de Janeiro. Nossa equipe de reportagem apurou que o lobby principal, localizado no segundo andar, terá vista e iluminação da piscina com fundo de vidro, localizado na cobertura, através do atrium central.
Concluída em 2010 pela incorporadora BNCORP, a obra de revitalização do Rio Branco 115, localizado na esquina da Avenida Rio Branco com a Rua do Ouvidor, região central da cidade maravilhosa foi fiel às características do prédio da década de 50, que teve suas elegantes fachadas e instalações modernizadas.
Foram mantidas as linhas curvas da fachada – que foram também reproduzidas no redecorado hall de entrada – e a frente envidraçada. Os novos caixilhos de alumínio, no entanto, sustentam agora vidros de alta performance acústica e térmica produzidos pela Pilkington. A fachada foi composta de vidro de 10 mm, 8 mm e vidro curvo de 10 mm ou 8 mm, que variaram de um andar para outro. A especificação do vidro laminado retangular ou curvo tem a seguinte composição: Vidro Controle Solar Reflecta de espessura 4 mm + película de PVB   azul 7558 (entre os vidros) + Vidro Incolor de espessura 4 ou 6 mm.  No total, foram empregados 3.200 m² do material.
Internamente, toda a parte elétrica e hidráulica do RB115 foi modernizada, assim como os sistemas de ar condicionado e os elevadores. O prédio passou a ter um ganho de eficiência na utilização da área privativa após as modificações. Ele foi reinaugurado, em janeiro do ano passado. com 100% dos espaços ocupados por empresas como Camargo Corrêa e Vale.
O imponente edifício Manchete, no Rio de Janeiro, que é um projeto de Oscar Niemeyer erguido nos anos 60 também foi submetido ao retrofit. Com localização privilegiada, em frente ao Aterro do Flamengo, durante quase quatro décadas abrigou as extintas editora Bloch e Rede Manchete. Depois da falência do Grupo Bloch, em 2000, foi abandonado e sua infraestrutura se deteriorou. O prédio voltou a ser ocupado em maio passado, quando chegaram seus novos inquilinos – as multinacionais de petróleo e gás British Petroleum, inglesa, e Statoil, norueguesa. Sua ocupação só foi possível porque a reforma durou um ano e saiu a R$ 100 milhões. O custo seria maior se um empreendimento de grande porte como esse começasse do zero. Para esta obra, o Grupo Paris forneceu o vidro duplo insulado de 31 mm de espessura, laminado refletivo cinza. A mesma empresa também é responsável por 870 m² de esquadrias tradicionais com pintura eletroestática branca no projeto do Edifício Sul América, incorporação da Tishman S.A. O retrofit está sendo executado pela Lafem Engenharia e o fornecedor do vidro é Vidrotex/Vimolbarra.