Muitos empresários do ramo vidreiro, incluindo os proprietários de vidraçarias, estão acompanhando de longe a entrada em vigor da ABNT NBR 15575, chamada simplesmente de Norma de Desempenho das Edificações, como se o assunto não fosse com eles. O tema, entretanto, pode interferir diretamente na rotina de seus negócios, criando novos procedimentos e até mesmo oportunidades de novos serviços.
O tema ainda está em discussão, mas por enquanto está valendo a regra de que para todo vidro instalado na construção – incluindo boxes de banheiros e fechamentos de vãos – os vidraceiros terão de entregar junto um documento informando a Vida Útil de Projeto (VUP) do produto entregue. E da mesma forma que acontece nas revendas de automóveis, deverão programar revisões periódicas para regulagens e substituições de peças, como dobradiças, roldanas etc.

  Na prática Na prática

A norma é extensa e prevê durabilidade mínima para cada aplicação do produto. No caso fictício de uma vidraçaria instalar janelas em um prédio (encomendado por uma construtora) e fazer a montagem utilizando kits prontos e ferragens de latão, por exemplo, a vidraçaria deve passar ao construtor uma previsão de vida útil de todos os itens que compõem tal janela. Para isso utilizará informações que deverão ser fornecidas pelo fabricante de kits, pelo fabricante das ferragens de latão e pelos fabricantes dos vidros.
Tal janela instalada deverá durar o que já está publicado na norma, que são 20 anos. Nesse período não poderá ocorrer infiltração de água ou partículas, ou dano em qualquer componente que acabe por prejudicar o desempenho do conjunto todo.
Nesse caso da janela, o vidraceiro – munido de informações dos fornecedores de kits e das ferragens – repassará, à construtora que o contratou, documentos que informem quando devem ser feitas manutenções periódicas e trocas de peças e componentes.
Essas informações por escrito serão repassadas ao consumidor que poderá optar por fazer tais manutenções e trocas ou não. Se optar por não fazer, entretanto, não terá como se defender legalmente de algum problema que possa ocorrer antes do mínimo estipulado.
A questão, entretanto, vai além. Se a instalação do vidro compor uma fachada, por exemplo, a durabilidade mínima prevista para esse item não deverá ser de somente 20, mas de 40 anos previstos na NBR 15575. Da mesma forma, se o vidro fizer parte de uma cobertura será incluído na durabilidade mínima prevista em coberturas e o mesmo se aplica para divisórias, boxes, revestimentos de paredes, degraus de escadas, pisos e outras aplicações com vidro.

  Polêmica

Poucas vezes na história da ABNT a aprovação de uma nova norma causou tanta discussão e movimentou os setores a que eram destinadas quanto a NBR 15575. Isso porque uma de suas características é estabelecer as responsabilidades de cada um dos envolvidos: construtores, incorporadores, projetistas, fabricantes de materiais, administradores condominiais, instaladores e os próprios usuários.
Segundo a diretora da Beltrame Engenharia e consultora da Associação Nacional de Fabricantes de Esquadrias de Alumínio (Afeal), Fabiola Rago Beltrame, trata-se de uma questão de responsabilidade solidária. “O construtor deve informar com base nos dados do fabricante de esquadria ou instalador do kit, que irá solicitar informação ao fornecedor do kit, componentes e vidros”, explica.
No caso das esquadrias o fabricante de perfil, o fornecedor do acabamento de superfície, o fornecedor dos componentes, o fornecedor do vidro, o fornecedor de silicone, e cada responsável por cada item da cadeia produtiva da esquadria terá que definir e informar qual a VUP de seu material e propor as formas de manutenção, mesmo que seja a substituição do material após, por exemplo, cinco ou dez anos.
Para o gerente de marketing da Cebrace, Carlos Henrique Mattar, a NBR 15575 finalmente prioriza a qualidade de vida dos habitantes ao regulamentar os níveis de desempenho térmico e acústico nas edificações, no qual as janelas terão um papel de destaque. Ele explica: “Um dos principais requisitos da norma está nos sistemas de vedação verticais internas e externas, que diz respeito às paredes do imóvel – o que gera impacto principalmente nos materiais usados em janelas. Para isto a norma de esquadrias teve que se adaptar e na nova parte 4 da ABNT NBR 10821 – Esquadrias para Edificações – a ser publicada no ano que vem, os quatro níveis de conforto acústico estão divididos de A (janelas com isolamento acima de 30 db) a D (isolamento abaixo de 18 db). Este desempenho será classificado de acordo com os requisitos e apresentado em um selo para conhecimento do consumidor”.
Contudo, Mattar enfatiza que o setor vidreiro está preparado para atender à Norma de Desempenho porque os vidros já atendem suas exigências. “É importante sempre salientar que a norma diz respeito ao sistema que forma a janela (vidro + caixilho) e, nesse sistema, acreditamos que temos muito a evoluir em relação ao desempenho térmico e acústico da mesma, pensando os itens em conjunto”, conclui.