Nova norma  não é bicho papão

Nova norma não é bicho papão

Em uma palestra detalhada, a consultora da Afeal, Fabiola Rago, mostrou que, apesar de assustar devido às suas 300 páginas de conteúdo, a ABNT NBR 15575-4 – Edificações Habitacionais – Desempenho – está em harmonia com as normas de vidros e de alumínio que foram ou estão sendo elaboradas. E será benéfica ao reforçar a exigência de qualidade também para as construções residenciais.
Fabiola iniciou sua palestra destacando que o foco dessa norma é habitacional. “Esse setor da habitação é onde a qualidade sempre foi desprezada. A norma surge com o objetivo de melhorar esse tipo de obra. E o setor de construção acaba usando nas demais obras. Os erros são semelhantes na pequena obra, de interesse social e nas maiores”, explica Fabiola.

 

Vidros e janelas residenciais

Dos seis tópicos da ABNT NBR 15575-4, os vidros e esquadrias se encaixam na parte de número quatro: Vedações Externas e Internas.
Na parte de esquadrias, elas devem atender à norma de esquadrias: NBR 10821, que foi recém revisada. Isso, indiretamente, vai fazer com que a construtora atenda a norma de edificações, que traz especificações para a parte acústica, térmica e estrutural, e depois direciona para cada um de seus produtos. “Ela tem muito a contribuir para o setor. Como um todo vai melhorar muito”, comenta Fabiola.

Mesa debatedora de Fabiola Rago Beltrame contou com a presença dos presidentes da Afeal e do Sincavidro

Mesa debatedora de Fabiola Rago Beltrame contou com a presença dos presidentes da Afeal e do Sincavidro

Presidentes da Afeal e do Sincavidro

Presidentes da Afeal e do Sincavidro

TESTES

Na norma de esquadrias se prevê que as janelas sejam estanques ao ar e à água. Para se avaliar essa característica, os laboratórios de testes realizam alguns ensaios, que foram descritos na palestra de Fabiola.
Nesses ensaios é prevista a resistência às cargas de ventos conforme a incidência que ocorre em todo o Brasil, conhecido como Mapa das Isopletas. Os cálculos estruturais de resistência podem ser feitos, por sua vez, seguindo-se as instruções da NBR 6123. “O problema é que em obras residenciais muitas vezes não existe a figura do consultor e cada um calcula de um jeito”, lamenta Fabiola.
Terminados os ensaios de câmara, é testado o manuseio. “Não adianta porta de vidro de seis de altura por metros de altura se não vai correr ou abrir com facilidade ou, se com o tempo, irá apresentar problemas que impeçam sua utilização”, esclarece a consultora.
Na parte de vidros, a norma de desempenho recomenda a adoção dos parâmetros da NBR 7199, que instrui onde deve instalar os vidros e que tipos de vidros e isso inclui a adoção da norma de guarda-corpos. “Ou seja: o que a norma de desempenho está fazendo é juntar essas normas todas e dizendo: tem que aplicar”.
Mais do que isso, entretanto, a norma de desempenho aborda também as partes de acústica e térmica. Nesse quesito, a palestrante explicou que o vidro tem apresentado ótimo desempenho. A dificuldade atual é equiparar o desempenho da esquadria ao desempenho dos vidros. Um dos problemas descobertos durante os testes foi que o principal fator negativo para que uma janela obtenha o índice acústico exigido pela nova norma é a questão das frestas no conjunto.
Por fim, Fabiola citou diversos tópicos, destacando os cuidados com a manutenção que devem ser indicados aos usuários para que eles prolonguem a vida útil da janela ou da porta de vidro e alumínio.

DEBATES

Durante a rodada de debates, foi mencionada a questão da falta de laboratórios especializados em esquadrias de alumínio e vidro. Existem filas de espera para tais testes. Durante as discussões, inclusive, foi noticiada a intenção de montagem de um laboratório de testes no Rio de Janeiro. Supostamente, os presidentes da Afearj e do Sincavidro estariam à frente desse projeto. Consultado, porém, por nossa reportagem, o presidente do Sincavidro, Fernando Pires, afirmou que não existe um anúncio oficial dessa intenção: “por enquanto, são somente ideias”, disse.
Outra questão abordada nos debates, levantada pelo consultor Igor Alvin, foi sobre o motivo da norma dos vidros NBR 7199, de 1989, não ter ainda uma versão revisada e atualizada. Fabiola revelou aos presentes no encontro que a norma, coordenada pelo CB 37, ficou parada todo esse tempo devido a uma discussão acentuada pelo uso ou não de película de segurança em vidros temperados. Entretanto, Fabiola é contra a utilização de tais películas por não haver como separar os bons produtos adesivados, produzidos por empresas idôneas para garantir a segurança dos usuários, dos insulfilms comuns que só servem para escurecer o ambiente.
Por fim, a consultora foi questionada sobre o motivo de não ter sido feita uma norma que exigisse ainda mais qualidade. Segundo ela, o mais importante no momento era que a norma entrasse em prática. “Creio que ela será revisada em breve, serão melhorados alguns pontos, mas pelo menos demos um primeiro passo para isso”, comentou.