temperados em coberturas nem com insulfimInstalar vidros temperados em coberturas pode resultar no fechamento da vidraçaria responsável pela instalação. Não se trata de uma reportagem alarmista, pois, segundo o Código de Defesa do Consumidor “é vedado ao fornecedor de produtos ou serviços, dentre outras práticas abusivas colocar, no mercado de consumo, qualquer produto ou serviço em desacordo com as normas expedidas pelos órgãos oficiais competentes ou, se normas específicas não existirem, pela Associação Brasileira de Normas Técnicas ou outra entidade credenciada pelo Conmetro”, informa o capítulo cinco, seção quatro, artigo 39 inciso oitavo.

No caso dos vidros de segurança, a norma ABNT/NBR 7199 é clara em afirmar que: em coberturas e claraboias de vidros só podem ser utilizados os vidros de segurança laminados ou aramados. Isso porque se houver quebra do vidro a peça se mantém presa ao caixilho até que seja providenciada sua substituição.

Em outras palavras, apesar da norma técnica não ser uma lei com punições específicas previstas aos infratores, no caso de um acidente que resulte em processo contra a vidraçaria a venda será considerada irregular por se enquadrar no Código de Defesa do Consumidor. As punições do Código passam então a valer nesse caso, podendo resultar em multas, indenizações e até no fechamento do negócio do infrator.

Segundo Silvio Ricardo Bueno de Carvalho, gerente técnico da Abravidro e coordenador do ABNT/CB 37, não adianta o recurso que algumas vidraçarias utilizam de pedir para o usuário final do produto assinar um termo de responsabilidade pela instalação de temperados em coberturas, informando que foi avisado sobre o vidro correto. Segundo ele, isso só confirma que o estabelecimento comercial conhecia a norma técnica, mas, apesar disso, comercializou um produto inadequado.

“O vidro é seguro, desde que seja usado corretamente”, explica Silvio. Ele acrescenta que quando o produto é mal especificado prejudica não somente quem instalou, mas todo o setor vidreiro. “Quando ocorre um acidente com o vidro com vítima o fato é divulgado e as pessoas passam a utilizar outros materiais em seus projetos”, explica.

Película decorativa
Por não se informarem adequadamente muitos vidraceiros recomendam a utilização de películas tipo “insulfilm” sobre o vidro temperado aplicado em coberturas. Na verdade essa não é uma solução e muitas vezes agrava o problema, pois a peça inteira da cobertura pode cair sobre um usuário de uma única vez.

Segundo o gerente técnico da Llumar, Tulio Souza, insulfilm é uma marca e não um produto. Geralmente serve para designar as películas de controle solar ou decorativos, semelhantes os que são utilizados em automóveis. Tais películas adesivas, segundo explica, são mais finas que uma folha de papel e não suportam o peso do vidro temperado quando este quebra.

Tulio destaca que a ABNT/NBR 7199 atual não prevê a utilização de películas adesivas, nem mesmo a película de segurança que é adotada em outras partes do mundo para essa finalidade. “Essas películas de segurança, entretanto, são bem mais espessas, possuem um adesivo mais forte e são fixadas com silicone pelos quatro lados do caixilho”, descreve.

A película de segurança da Llumar e de outros fabricantes pode ser aprovada em um futuro breve, pois o assunto está em discussão como item adicional à norma 7199, que passa por um processo de revisão.

A utilização de películas de segurança, desde que devidamente especificadas e instaladas, é defendida por profissionais de diversos setores. Ela é importante especialmente para reforçar a segurança de instalações antigas, onde foram utilizados vidros comuns. Nesses casos pode reduzir custos e viabilizar projetos de modernização, pois dispensa a substituição dos vidros.

A Llumar é marca líder mundial de películas de poliérter e pertence ao fabricante de Polivinil Butiral (PVB) Solutia que produz diversos tipos de películas adesivas, incluindo as decorativas e de proteção solar.