Para avaliar a quantas andam as vidraçarias da cidade maravilhosa a reportagem da Revista Sincavidro decidiu fazer um tour via metrô pela região central. Começamos pela estação Catete com uma estratégia: para não haver favorecimentos iríamos perguntar ao primeiro jornaleiro ou comerciante onde havia uma vidraçaria pelas redondezas.
A esses vidraceiros levaríamos a instalação hipotética de uma cobertura de 4m×6m em um estabelecimento comercial localizado há menos de dois quilômetros daquele ponto. Para complicar um pouco mais, levaríamos a eles a necessidade de que tal cobertura aguentasse a chuva de granizos e que fornecesse alguma proteção contra o excesso de luz e de calor.
Na primeira vidraçaria indicada só faziam serviços de emolduramento de quadros de parede. O proprietário, porém, indicou uma vidraçaria que teoricamente pudesse atender à nossa necessidade.
Chegamos então a uma vidraçaria instalada em um prédio centenário localizado a cerca de 200 metros da estação Catete. Fomos atendidos por uma senhora com mais de 60 anos que, quando soube nossa necessidade foi saindo e respondendo de costas: “Isso não tem como dizer a você, o orçamentista tem que ir lá para olhar”.
Insistimos por mais informações. Ela retornou ao balcão e informou que o vidro, no caso, teria de ser laminado. Quando perguntamos sobre a questão de barrar o calor e a luz ela retrucou que deveríamos procurar um instalador de toldos de lona ou instalar uma película adesiva de controle solar. Ela, porém, não tinha ninguém para indicar, mas reforçou que “o insulfilm daria maior resistência ao vidro além de escurecer o ambiente”.
Peguei o cartão da vidraçaria e parti para a estação Largo do Machado. Ali me indicaram uma vidraçaria de fachada pequena. Na placa informavam que, além de instalar vidros, trabalhavam também com esquadrias de alumínio.
Fomos atendidos por outra senhora sexagenária e já fomos esperando por um atendimento semelhante ao anterior, principalmente quando ela anunciou que o orçamentista teria de ir até o local para dar uma olhada. Para nossa surpresa, porém, esta nos deu o melhor atendimento de nosso tour. Explicou que a cobertura teria de ser feita somente com vidros laminados e trouxe até o balcão uma amostra para entendermos do que estava falando, destacando a “película butiral” que existe entre os vidros.
Quando perguntamos sobre a questão da redução da luminosidade e contenção do calor nos indicou que utilizássemos um vidro refletivo e também trouxe uma amostra do único modelo de refletivo que tinham na loja. O atendimento só não foi perfeito porque não enumerou as diversas possibilidades de cores dos vidros laminados nem detalhou os diversos níveis de proteção e espelhamento dos tais refletivos. Saímos com um cartão em mãos e um pouco mais esperançosos, em direção à estação Flamengo.
Ali nos indicaram uma vidraçaria de esquina retornando sentido ao Largo Machado. Novamente fomos atendidos por uma senhora. Esta, porém, um pouco mais nova, com idade entre 40 e 50 anos, nos informou: “Vocês podem usar o temperado ou o laminado, mas o melhor é o laminado”.
Quando pedi que explicasse ela disse que o temperado, se quebrasse por algum motivo, cairia, já o laminado ficaria preso no local. Mas se quiséssemos em temperado eles atenderiam também.
Quando falei sobre a questão da contenção de luz e calor ela disse que seria melhor utilizar o vidro fumê laminado, pois, segundo ela, “o vidro laminado já reduz o calor” e a cor fumê iria atenuar a luminosidade.
Parti, finalmente, para a quarta parada daquela manhã de sábado, na estação Botafogo. Em uma vidraçaria instalada há cerca de 50 metros da estação fui atendido, coincidentemente ou não, por outra senhora sexagenária. Esta, quando ouviu minha necessidade chamou o dono do local.
Dos fundos veio um rapaz corpulento com ar de que entendia do assunto. Para decepção geral ele indicou que a cobertura fosse feita com vidros temperados. “Aqui a gente só trabalha com vidros temperados”, disse. Quando questionamos se esse vidro poderia ser utilizado em coberturas ele garantiu que sim com a expressão de um expert no assunto.
Por fim, quando mencionamos a questão do calor e da luz ele recomendou que, após a instalação, procurássemos um instalador de películas tipo insulfilm e repetiu o que já havíamos ouvido anteriormente que, além de escurecer o ambiente, a película iria proporcionar proteção extra aos usuários do local.

estações Catete, Flamengo, Largo do Machado e Botafogo

Algumas vidraçarias próximas às estações de Botafogo, Largo do Machado, Flamengo e Catete foram visitadas para a produção desta reportagem

IMPRESSÕES
No papel de usuários, se não estivéssemos familiarizados com o tema vidro, optaríamos pelos vidros temperados, afinal, o produto foi indicado ou recomendado por três entre quatro estabelecimentos visitados. Depois, no caso de algum acidente, poderíamos ter sérios problemas e provavelmente
entraríamos em um embate jurídico com a vidraçaria que nos indicou o
produto inadequado (leia a reportagem a seguir).
Se optássemos pela solução de vidros laminados com vidros fumê teríamos resolvido a questão da segurança e da luminosidade, porém, não evitaríamos a entrada de calor, especialmente porque a cor escura do vidro fumê absorve o calor solar. A película de Polivinil
Butiral (PVB) filtra mais de 90% dos raios ultravioleta (UV), que provocam o desbotamento de carpetes e cortinas, mas esses raios não são responsáveis pela incidência de calor. Os responsáveis pelo calor são os raios infravermelhos.
A imagem passada pelas vidraçarias visitadas foi de que o vidro é um material popular e difícil de se trabalhar. Todas as vidraçarias visitadas eram desprovidas de showroom, de imagens na tela do computador ou de catálogos bem ilustrados que mostrassem o produto instalado com requinte. As vidraçarias mais pareciam lojas de materiais de construção segmentadas e o atendimento, que poderia compensar essa falha, também não ajudou.
Por fim, é de se estranhar também que tais vidraçarias exaltem tanto as qualidades das películas tipo insulfilm e não trabalhem com o material ou, ao menos, com parceiros que possam lhes pagar uma comissão sobre as vendas.