Esquadrias desenvolvidas pela Tecnofeal Esquadrias de Alumínio | crédito: Arquivo Tecnofeal

Dando continuidade à edição anterior, conforme prometemos, abordamos nesta reportagem algumas opções para superar o desafio de chegar antes às obras e garantir a participação de suas empresas, oferecendo soluções completas, como deseja o cliente.
É consenso geral do mercado que cada profissional deve se limitar à sua área de atuação. Nesse sentido, a melhor solução para os vidraceiros é se aliar à boas empresas que trabalham no ramo de esquadrias, sejam eles especializados em madeira, aço, PVC ou alumínio. Tal parceria, porém, é rara. Deve ser baseada em confiança entre as partes ao ponto do vidraceiro, no caso, vender os serviços como se fossem executados por ele próprio. Em caso de algum problema na instalação, inclusive, deve se responsabilizar pela reparação diretamente com o cliente.
A prática mais comum no mercado é o vidraceiro indicar um serralheiro conhecido ao cliente e não ganhar nada sobre essa indicação e, em caso de algum problema, o serralheiro ficar responsável pela reparação. Deveria haver, consequentemente, o bom senso por parte de tais serralheiros de não indicar ao cliente outra vidraçaria ou querer executar ele próprio os serviços com vidros, mas não é sempre que isso acontece.
Reginaldo Carvalho trabalha há três anos com vidraçaria. Há cerca de um ano e meio decidiu expandir o negócio para o ramo de serralheria de alumínio. “Tentamos terceirizar os serviços de esquadrias com serralheiros da nossa região e não obtivemos um bom resultado, foi quando decidi fazer o curso da linha Imperial Line 2.5, da Belmetal”, conta.
Recentemente, concluiu o curso para instalação de Aluminium Composite Material (ACM). Carvalho explica que a formação nos cursos foi excelente para a empresa, pois, com o conhecimento técnico da área de esquadrias, passou a ter visão total das obras contratadas.
“O investimento em cursos deve ser constante para os funcionários e empresários”, explica Alexandre Araújo, professor do site Canal do Serralheiro. Os cursos têm duração de 16 horas e custam, em média, 450 reais. Já os gastos com um serralheiro experiente no mercado pode variar de 1.500 a 2.500 reais, dependendo do conhecimento que ele possui.
“Não podemos comparar a experiência de um bom profissional – que traz retorno imediato para a empresa – com o recém-formado que precisará de experiências para completar sua formação”, conta Araújo. Porém, ele ressalta que até mesmo os bons profissionais precisam se aperfeiçoar constantemente para conhecer novas técnicas.

Turma de julho/2011, do Curso Básico de Serralheria de Alumínio Linha Imperial Line 2.5. À esquerda (de cavanhaque) está o Reginaldo Carvalho | crédito: Arquivo Canal do Serralheiro

Conhecimento Prévio
Edson Fernandes, gerente do programa setorial da qualidade de esquadrias de alumínio da Associação Nacional de Fabricantes de Esquadrias de Alumínio (Afeal), alerta para as normas técnicas que regulamentam a segurança das esquadrias: “Antes de decidir trabalhar com serralheria, é preciso ter conhecimento do setor”.
A norma técnica das esquadrias determina as especificações de desempenho do produto para as cinco regiões do país pela Norma das pressões de ventos (ABNT NBR 6.123), altura da edificação e dimensão do produto. Uma esquadria instalada na região Nordeste, por exemplo, estabelece requisitos de resistência menores em relação à outra especificada para região Sul do país, conforme ABNT NBR 10.821 e NBR 6.123, pois a pressão dos ventos são superiores. Portanto, conhecer e aplicar as Normas Técnicas são obrigações legais exigidas pelo código civil, pelo CDC e pelo código de obras das prefeituras.
“Hoje, existe uma carência de mão de obra muito grande”, admite Fernandes. Mas ele ressalta que o investimento mais apropriado não é no setor operacional, e sim nos técnicos que fazem as medições e as especificações dos projetos. Isso porque, antes de o serralheiro executar o trabalho, há um técnico que faz o cálculo para definir a esquadria mais adequada.

Equipamentos
Para se montar uma serralheria de alumínio são necessários alguns equipamentos específicos, como: máquina de corte, máquina de furar, pantógrafo, entestadeira, estampo e compressor. É preciso estar atento na hora de comprálos. “Nem sempre o moderno vai ser o mais produtivo”, explica Alexandre Araújo. Confira a seguir algumas dicas:
1. Máquina de corte: Existem vários modelos com dimensões de disco diferentes. Você deve saber qual é a maior altura do perfil e quantos vão ser cortados de uma só vez.
2. Pantógrafo: Encontra nos tamanhos pequeno, médio e grande. Nesse caso você precisa saber se as quantidades de usinagens por dia será pequena, média ou alta. Uma boa opção para grandes produtividades é o centro de usinagem.
3. Entestadeira: As opções são menores do que os equipamentos anteriores. Uma boa dica é verificar a altura que você vai precisar usinar e a altura máxima que o equipamento realiza.
4. Estampo: Esses equipamentos são manuais ou pneumáticos. Você tem que saber com qual linha (sistema) vai trabalhar. É importante saber a quantidade de produção mensal para uma escolha entre o manual e pneumático. Em alguns casos o centro de usinagem substitui
o estampo.
Reginaldo Carvalho conta que, na época de expansão do negócio, não precisou investir muito dinheiro na empresa. “Nós já tínhamos muitos equipamentos da área antiga de serralheria de ferro, compramos uma nova policorte de alumínio e um estampo manual”.  Mas o empresário calcula que para uma vidraçaria investir na área de serralheria gastaria inicialmente cerca de 50 mil reais, entre cursos de formação e ferramentas adequadas para a fabricação de pequeno porte.
Carvalho ressalta que o retorno do investimento é garantido. Ele mesmo está satisfeito com os resultados que já alcançou, e espera aumentar o quadro de funcionários nos próximos meses, para atender a região serrana e o grande Rio. Atualmente, emprega um serralheiro e um ajudante, já as instalações de vidro estão sendo terceirizadas.