Tec-Vidro Estoque de Kits

Estoque dos kits para boxes da Tec-Vidro

Projeto desenvolvido pela SJL Madeiras

Os consumidores estão cada vez mais impacientes e exigentes. Hoje, não há tempo a perder e eles não querem ter o trabalho de procurar diferentes profissionais para fazer uma única tarefa. Diante dessa realidade, quem oferece soluções completas sai na frente da concorrência e conquista mais clientes. No ramo de fechamento de vãos essa história se repete e, invariavelmente, quem chega primeiro à obra leva vantagem.
É papo comum entre os empresários do setor vidreiro o fato de que os serralheiros estão invadindo seu espaço, fornecendo esquadrias já com vidros aplicados. A história, porém, tem também uma segunda versão: os vidraceiros também vêm invadindo o espaço dos serralheiros há mais de uma década.
Um marco nessa transformação do mercado consumidor foi o lançamento de kits para montagem de boxes para banheiros e, posteriormente, de fechamento de vãos. Com os kits os vidraceiros passaram a atuar em áreas que antes eram exclusivas dos serralheiros. Alguns setores do ramo de serralheria, como o de montagem de boxes de acrílico, quase desapareceram.
Em 1995 uma vidraçaria paulistana, a Tec-Vidro, começou a fabricar os kits para boxes. Eles foram lançados para facilitar o trabalho dos vidraceiros, que, na época, reclamavam do prazo para a entrega do material, que chegava a 45 dias em determinados casos. “Quando lançamos a primeira versão do Kit para boxes houve o reconhecimento imediato à praticidade e redução de custos por parte dos vidraceiros. A adesão foi imediata e abrangente”, conta Rubens Braga, diretor comercial da empresa. Atualmente, além dos kits para boxes, a empresa trabalha também com os kits engenharia, que cobrem vãos de até seis metros de largura.
Com o sucesso desses produtos outras empresas do setor de extrusão de alumínio passaram a atender exclusivamente ao setor vidreiro.
Uma evolução desses kits, lançados recentemente pela Tec-Vidro, foi o Versakit, que permite uma grande abertura do vão, especialmente indicado para sacadas, e o sistema Versakit “mão amiga”, em fase de implantação no mercado. Os kits que permitem a instalação das chamadas “cortinas de vidro”, ou “envidraçamento de sacadas” também estão ajudando a ampliar a área de atuação dos vidraceiros, invadindo o que antes era do setor de serralheria.

Há 20 anos, a Vidraçaria Chile instala esquadrias

Com a redução do mercado dos serralheiros estes passaram a se especializar em trabalhos mais sofisticados como forma de sobrevivência. Uma dessas áreas foi a de fachadas.
Foi como um contra-ataque não planejado. Os serralheiros passaram a avançar na área dos vidraceiros, pois além de oferecer as esquadrias customizadas, eles passaram a instalar os vidros para os clientes. “Os distribuidores de vidros, com uma política comercial de igualdade de preços para serralheiros e vidraceiros, ajudaram e muito, nesse avanço de mercado”, explica o professor Alexandre Araújo, organizador de cursos e proprietário do site Canal do Serralheiro.
Uma vantagem que os serralheiros levam sobre os vidraceiros é o fato de que a esquadria entra antes que os vidros na obra. Chegando primeiro puderam oferecer soluções completas e deixaram de depender dos vidraceiros.
Alguns vidraceiros, no entanto, perceberam essa situação e passaram a investir em serralheria de alumínio. Esse é o caso da Vidraçaria Chile, que fica em Curitiba (PR). Há pelo menos 20 anos a empresa instala esquadrias de alumínio para seus clientes. “No início, contávamos com um serralheiro, um ajudante e dois colocadores. Hoje em dia, a maioria dos colocadores tem noção de esquadrias de alumínio. Não dá para ficar preso em um setor só, senão ficamos para trás”, explica Júlio César Vieira, gerente da vidraçaria.
Maurício Claveland é um dos empresários que fizeram o caminho inverso, começando com esquadrias de madeira há 26 anos no Rio de Janeiro e entrando, a partir de 2001, no ramo vidreiro.
Na época de ampliação de sua empresa, a SJL Madeiras, o investimento feito foi grande, cerca de 200 mil reais em equipamentos, fora os gastos com mão de obra, que Claveland não soube mensurar. No entanto, onze anos depois, o empresário colhe excelentes resultados. “Alcancei o objetivo que esperava para hoje. O grande segredo é manter o interesse e se sentir desafiado. O vidro me desafiou e eu aceitei o desafio”, revela. Hoje, a equipe da empresa é formada por 60 funcionários fixos, sendo 15 específicos para o setor de vidraçaria, e oito para o de serralheria.
Claveland disse que sempre respeita o projeto dos arquitetos, que tendem a sugerir os materiais mais adequados. Mas, ao longo dos anos, ele vem percebendo que o estilo e os fatores regionais e climáticos têm grande influência sobre os materiais escolhidos. A madeira é muito versátil, mas precisa de uma manutenção mais assídua, diferentemente das esquadrias de alumínio. “Em projetos que sofrem com a maresia, por exemplo, podemos observar a presença de alumínio em mais de 90% dos prédios à beira mar. Os arquitetos acharam no alumínio uma ótima saída para aumentar a qualidade de seus empreendimentos, e o material foi tão bem aceito esteticamente, que hoje é preferência em muitos projetos”, explica o empresário.
As esquadrias de alumínio chegaram ao Brasil na década de 60, e desde então vêm conquistando os consumidores nacionais. Hoje, elas estão em terceiro lugar no comércio, e correspondem a 20% das vendas, perdendo para as esquadrias de aço e madeira. Mas, segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Esquadrias de Alumínio (Afeal), entre os quatro materiais – madeira, aço, alumínio e PVC – as esquadrias de alumínio são as que apresentam melhores índices de crescimento. Isso porque elas são esteticamente bonitas, possibilitam ampla variedade de cores e tons em pintura eletrostática e harmonizam-se com a decoração de interiores.
No mercado brasileiro há dois tipos de esquadrias de alumínio: os caixilhos especiais, usados quando o arquiteto define os vãos e os tipos de esquadrias, e os caixilhos padronizados, que são produzidos em escala, de acordo com o catálogo de cada fabricante.
Contratar ou formar?
Para as vidraçarias entrarem no ramo de esquadrias não é difícil. Na próxima edição iremos pesquisar os custos para se montar uma serralheria básica dentro do próprio negócio de vidros. A parte mais complicada é a questão da mão-de-obra qualificada. Para isso a vidraçaria pode contratar um profissional experiente ou formar seu próprio pessoal.
Hoje existem vários cursos rápidos de serralheria. O professor Alexandre Araújo ministra alguns deles e conta que cerca de 70% dos alunos são vidraceiros que querem ampliar os serviços oferecidos e aprender uma nova profissão, para se tornarem mais competitivos no mercado. “No ano de 2011, cerca de 400 pessoas se formaram nos meus curso de serralheria, dessas, 280 eram vidraceiros”, afirma Araújo.
Mas fique atento às especificações da profissão para não se iludir. O curso de serralheria não vai fazer do vidraceiro um expert em fachadas. A Afeal explica a diferença entre o serralheiro e o fabricante de esquadrias: “O serralheiro é aquele profissional pequeno de bairro dotado de equipamentos básicos, já o fabricante tem uma indústria estabelecida, com diversos e modernos equipamentos”.