Apesar de serem eficazes para amenizar as consequências de um incêndio, os vidros Corta-Fogo e Para-Chama ainda são pouco divulgados no Brasil. Os motivos, como já enumerados por Carlos Henrique Mattar, variam desde os altos custos, por ainda ser um produto importado, até a falta de conhecimento sobre esses vidros por parte dos especificadores, arquitetos e engenheiros.
Um fato que contribui para essa lacuna no setor vidreiro é a falta de normas para vidros resistentes ao fogo. “Não temos uma norma específica para vidros resistentes ao fogo em nosso país ou uma instrução técnica nacional que facilite uma mesma linguagem em diversos Estados”, afirma a gerente adjunta de vendas da Schott, Viviane Moscoso.
Mesmo assim, a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) prevê as especificações necessárias para unidades envidraçadas resistentes ao fogo, o que diz respeito não só ao vidro, mas também a seus elementos de fixação e estruturação. Pois, como a ABNT explica, a capacidade de as unidades envidraçadas resistirem ao fogo depende do vidro, do método de envidraçamento, do tipo do caixilho, do tamanho do painel, do método de fixação e do tipo da construção.
De acordo com a ABNT, a resistência ao fogo é satisfatória na medida em que a unidade envidraçada mantém, durante um incêndio, a estabilidade (resistência mecânica), a estanqueidade e, em alguns casos, a isolação térmica. Com isso, a NBR 14925 define as exigências para unidades envidraçadas resistentes ao fogo, que contêm vidro transparente ou translúcido, para uso em edificações, codificando as estruturas de acordo com o tempo em que elas conseguem resistir ao fogo, de acordo com o quadro a seguir:

tabela

Apesar de ainda serem pouco usados no Brasil, os vidros resistentes ao fogo são amplamente divulgados no mercado internacional. Um exemplo disso foi a sua utilização em um dos estádios da Copa do Mundo de 2010, sediada na África do Sul.
Na ocasião, a Schott forneceu 4 m² do vidro para-chama PYRAN S, E120, de 8 mm. O material foi usado no pavimento inferior do estádio Moses Mabida Stadium, construído em Durban, onde foi aplicado ao lado de uma estação de bombeamento de incêndio, para garantir o acesso visual à estação, mesmo durante um incêndio. “Lembrando que o vidro é uma proteção passiva, logo será utilizado em áreas realmente necessárias, não tendo necessidade de grandes proporções”, acrescenta Viviane Moscoso, gerente adjunta de vendas da Schott Brasil.

Estádio Moses Mabida

O estádio Moses Mabida, construído em Durban para a Copa do Mundo de 2010, usou 4 m² de vidro Pyran S (EI 20).