Com o aumento da procura para produção de peças para mobiliário, revestimentos de parede, entre outras instalações, os vidros pintados já ocupam lugar de destaque no mercado. A variedade é grande e a aplicabilidade também, porém, é preciso conhecer as técnicas para que elas se adequem aos projetos desenvolvidos pelos vidraceiros.
Esta é a primeira, de uma série de reportagens, que a revista Sincavidro irá abordar o assunto de forma esclarecedora, começando pela definição de cada um deles e destacando o trabalho realizado por duas empresas do Rio de Janeiro: a Vidros Belém e a New Temper.

Adriana Barbosa

Projeto da arquiteta Adriana Barbosa usou vidro pintado

Coloridos na massa, refletivos e laminados
Os vidros coloridos industrialmente obedecem a três tipos de produção: aplicação de aditivos na massa, deposição de camada refletiva e laminação com película plástica colorida. Aditivos minerais incorporados na composição de floats e impressos lhes proporcionam a possibilidade das cores cinza (fumê), bronze, verde e azul, além do poder de barrar o mínimo de radiação solar. Os vidros refletivos, originados a partir do processo a vácuo ou do processo de vidros pirolíticos, adquirem diversas cores por reflexão. Especialmente em fachadas, o resultado estético dos refletivos se soma ao barramento de grande parte da radiação solar, gerando ainda economia de energia elétrica a partir de menos gastos com o ar condicionado. E também a técnica de laminação de vidros com Polivinil Butiral (PVB), bem como a de laminação com resina ou EVA, possibilita a criação de uma infinidade de cores. A película permite combinações de cores básicas para se chegar ao tom desejado. No caso da resina, os pigmentos são misturados à própria resina antes da laminação. Podem ser considerados vidros coloridos industrialmente também os que recebem pintura a frio na própria fábrica. Sobre estes falaremos em uma edição posterior.

Vidro Jateado
É uma das técnicas mais antigas da área, e por isso mesmo passou por evoluções. Hoje o profissional realiza seu trabalho sem contato com o processo. Numa cabine fechada, usa-se jatos de pós abrasivos eficientes e menos tóxicos.
A informática acabou aprimorando a técnica, já que hoje é possível reproduzir no vidro qualquer desenho, estampa ou foto, permitindo a personalização da peça. Somado a isso, a aplicação de tintas especiais oferece cor e graça ao trabalho do jateador. Proporciona privacidade parcial e é indicado para tampos de mesa, divisórias, placas de sinalização, troféus, brindes, janelas e composição de portas sociais.

 

Cabine de Pintura Parte Externa Vidros Belem

Novo equipamento da Vidros Belem consegue pintar vidros de 2,5 m x 3 m

Ambiente da Casa Cor RJ 2011

Ambiente da Casa Cor RJ 2011

Pintado ou Laqueado
São vidros comuns transparentes que recebem a cobertura de uma tinta (laca) no processo a frio, adquirindo grande variedade de cores. A pintura a frio é mais econômica e prática que o processo de serigrafia ou esmaltação, que envolvem a aplicação de esmalte cerâmico e a passagem das peças de vidro por um forno de têmpera. Algumas tintas são desenvolvidas especialmente para vidros e possuem grande resistência à abrasão. O processo de pintura ou laqueamento a frio, entretanto, não se equipara à resistência dos processos de esmaltação e serigrafia em termos de resistência da camada de tinta à abrasão, temperatura, tempo e produtos químicos.

Serigrafado ou Esmaltado
A técnica da serigrafia se traduz na aplicação de uma tinta vitrificada (esmalte cerâmico) no vidro comum, seguida de forno de têmpera para os pigmentos cerâmicos aderirem a sua superfície. O resultado é um vidro temperado com textura resistente inclusive a materiais pontiagudos. A esmaltação é semelhante, porém, não utiliza o processo de serigrafia. A tinta é aplicada por rolos em um equipamento especial automatizado. O vidro serigrafado pode conter listas, círculos de várias dimensões e outras estampas, proporcionando: estética, controle de privacidade e segurança. Já os esmaltados se limitam à cobertura total e são semelhantes na aparência aos vidros pintados a frio.
Os vidros serigrafados ou esmaltados podem compor fachadas, divisórias, portas feitas de vidro, boxes para banheiro, vitrines e outras aplicações.

 

Vidro Coverglass da Cebrace

Vidro Coverglass da Cebrace

Técnicas diferenciadas
A Vidros Belem tem em seu portfólio 700 opções de cores diferentes de vidros pintados. Eles são inseridos dentro de uma câmara de pintura com uma pistola específica para esse propósito. Depois desta etapa, os vidros secam a uma temperatura ambiente, denominada secagem a frio.
O cliente pode escolher a cor desejada numa cartela e a vantagem é que a própria empresa faz a mistura, sem que haja necessidade de encomenda da tinta para o fornecedor.
Como a procura tem aumentado, a Vidros Belém investiu recentemente numa máquina automática de pintura, com capacidade de pintar uma chapa inteira no tamanho máximo de 2.500 x 3.500 mm.
O único cuidado que se deve ter com o vidro pintado é em relação a tons claros quando o vidro é comum, já que a tendência é que a tonalidade esverdeada do vidro interfira na tonalidade da peça. Nesses casos tem-se usado o vidro extra claro, que possui massa totalmente incolor.
Já a New Temper está com uma nova linha de produção de vidros serigrafados, capaz de produzir vidros revestidos com esmalte cerâmico de várias cores e com várias estampas.
Os serigrafados são submetidos a forno de têmpera após a pintura, dessa forma se transformam também em vidros de segurança. Além disso, a camada de esmalte adere ao vidro de tal forma que torna-se impossível sua remoção sem que seja retirada parte do próprio vidro. Outro diferencial dos vidros decorativos é que possuem alta resistência a choques; à abrasão e à ação do tempo. O novo equipamento permite, inclusive, o desenvolvimento de texturas exclusivas ou personalizadas, incluindo letras e logotipos.
A técnica consiste na pintura do vidro feita com tinta para serigrafia à base de água, que pode atender perfeitamente os segmentos da construção civil, indústria moveleira, setor automobilístico (em determinados casos), eletrodomésticos, entre outros.