Infelizmente, no nosso o choro procede e tem viés de alta. A verdade é essa e tampar o sol com a peneira só vai piorar a coisa.
O vidro na construção civil deve ser tratado como produto de acabamento, sendo assim, arredondando os números, é fácil imaginar que a demanda de hoje é resultado de projetos concebidos a dois anos atrás.
Se considerarmos que o mercado da construção civil revela que os lançamentos imobiliários apresentam números pífios nesse primeiro semestre, é lógico concluir que nos próximos 18 ou 24 meses o cenário vai ficar ainda mais deteriorado.
É verdade que o mercado de pequenas obras e reformas, diretamente vinculado a renda e ao emprego, não carece de tanto tempo para responder depois que a renda e o emprego ressurgem. Contudo, ainda nada demonstra que eles estejam em processo de recuperação.
Por outro lado, ainda mais agravante, é que esse tombo pega o setor inteiro de calças curtas – essa premissa vale para o processador e para o fabricante de produto de base. Ele vem depois de momentos de euforia exacerbada. Lembrem-se que em 2010 crescemos vigorosos 7,6%, em 2011 chegamos aos 4%.
Uma indústria de capital intensivo, como é a nossa indústria de base, não se instala ao sabor do “vamos que vamos”. Projetos, estudos de viabilidade e uma série de demoradas negociações precedem o início de produção de uma planta. A indústria de transformação, também tem seu “delay” entre o projeto e a realização. Pior ainda, normalmente a busca pela melhor tecnologia impõe que esses equipamentos sejam importados.
Isso indica que a grande maioria desses investimentos foi feito num cenário, absurdamente, diferente em moeda estrangeira com o real sobrevalorizado.
Agora temos um mercado em franca retração, um parque industrial renovado e aumentado e contas que precisam ser pagas.
O que fazer?