Quem é pai vai entender a minha conversa desse mês.
É muito prazeroso podermos falar bem dos nossos filhos.  Contar para os amigos as vitórias que eles conquistam durante a vida é algo delicioso. O diabo é que temos que segurar as palavras para não parecermos cabotinos e artificiais.  Mas, mesmo assim não dá para não falar.
Outra coisa, essa sim sem riscos e ainda muito mais gostosa, é quando alguém de fora se aproxima e só faz elogios aos nossos filhos.  Êxtase total. Difícil conter o orgulho.
Pois foi exatamente essa sensação que tive com a inauguração do Instituto do Vidro. Receber o apoio e o reconhecimento de várias pessoas ilustres do setor vidreiro nacional foi gratificante e, confesso, me emocionou.
Essa manifestação espontânea vinda de todos os cantos era a constatação inequívoca de que todos haviam entendido a grandeza da nossa proposta. Sempre tive de forma lúcida e clara que o nosso projeto poderia sofrer contratempos porque ele não tem foco nítido no presente. Ao contrário, e isso foi dito na solenidade de inauguração, os nossos objetivos são mais ambiciosos, mas estão um pouco lá na frente.
O compromisso, num prazo de três ou quatro anos, é garantir que nenhum estudante de engenharia e arquitetura cole grau sem que antes tenha passado algumas horas conosco no Instituto do Vidro.
Tenho como prioridade na minha gestão a tarefa de diminuir esse abismo que insiste em separar quem produz de quem consome. Não falo em levar conhecimento e informação aos grandes escritórios de engenharia e arquitetura. Essa tarefa já é exercida com elevada competência pelas próprias usinas.
Nosso calcanhar de Aquiles reside nos pequenos e médios projetos. Nossa luta é para que as normas técnicas não sejam um penduricalho desprezado e abominado pelos que projetam, especificam e compram o nosso produto.
Estou certo que não há futuro para produtos de alto valor agregado quando o consumidor não tem a percepção e a noção exata desse valor.
Por tudo isso, agradeço aos elogios recebidos e eles me enchem de orgulho. Mas, considero que apenas o primeiro passo foi dado. A caminhada é longa, mas já estivemos mais longe.