Falem o que quiser, mas as indústrias vidreiras são extremamente atentas às oportunidades que o cenário econômico oferece.  Aliás, nós que reclamamos da sorte, bem que poderíamos aproveitar essa lição para bebermos da mesma fonte.
O fato é que com as importações inviabilizadas, inclusive pelo atropelo do dólar, o espaço para aumento do produto ficou bem mais generoso. E, não existe matemática mais absoluta que o próprio mercado.
Alguns fatores merecem uma pausa para entendermos um pouco mais esse processo. Não se pode negar que o setor vidreiro tem no início da cadeia uma indústria de capital intensivo, com elevada aplicação de recursos no binômio capital-tecnologia. Em resumo, somas vultosas são investidas na implantação do empreendimento. Esse investimento, lógico, clama por retorno.
Outro ponto que o mercado precisa assimilar é que quem dita os preços, para mais ou para menos, é sempre a líder do mercado. No caso do vidro fica ainda fácil entender, basta imaginar que enquanto um dos players que atua no mercado produz 4.000 toneladas por dia,  temos um outro  produzindo apenas 600  toneladas.
Dito isso, fica claro que esses ajustes virão sempre que a oportunidade aparecer.
O que o restante da cadeia precisa entender é que algumas práticas que adotamos, através dos anos, não se sustentam mais. Nos nossos custos temos diversos fatores que provocam impactos mais contundente que o próprio aumento da matéria prima. Exemplo melhor disso é a energia.
Esse vício adquirido pela indústria de transformação de só mexer nas tabelas quando os fabricantes de matéria prima alteram as suas, é um tipo de erro que pode ser fatal. Temos, como já vimos, estruturas de custo diferentes e, nem sempre o que é bom para um é bom para o outro.
Por isso, quando se anuncia um novo aumento no vidro, quem reclama e esperneia pode ter razão, mas, no fundo sabe que ele é a salvação da lavoura.