Tenho afirmado por diversas ocasiões que o mercado é tão sensível quanto maior for a crise. É padrão até justificável, quando as coisas vão bem, a tal zona de conforto tira a velocidade de algumas ações mais agressivas. É aquele velho chavão: time que está ganhando não se mexe.
Assim, entendo perfeitamente que o difícil momento que atravessamos é propício para o surgimento de alguns movimentos menos ortodoxos.
Pontualmente, o Rio de Janeiro deveria ser um ponto fora da curva nesse deserto de negócios que assola o país. Afinal, basta uma volta pela cidade para constatarmos o imenso canteiro de obras em que ela se transformou. Isso tudo, lógico, tocado pela oportunidade única que é sediar uma olimpíada.
Contudo, e aí o ponto volta para dentro da curva, um furacão chamado Petrobrás tem o seu “olho” cravado dentro da nossa cidade. De certa forma, o que ganhamos com uma das mãos, nos foi tirado pela outra.
Acontece então um fenômeno também já fartamente diagnosticado: as características do nosso produto indicam que ele é o último a entrar na crise e o último a sair dela.
Como a crise já afeta o nosso mercado, o Rio de Janeiro ainda resiste, turbinado pelo tal calendário olímpico. Um bom exemplo é a Barra da Tijuca que até o final do ano que terá mais de 10.000 dormitórios acrescentados à sua rede hoteleira.
Nesse momento é natural que a escassez de negócios que rasga o país, traga novos e surpreendentes “players” para um ou outro mergulho nas nossas praias. Faz parte do jogo. Somos uma república federativa formada pela união de 26 estados e o distrito federal e o trânsito de pessoas e mercadorias é garantido pela constituição. Nas fronteiras entre os estados não temos aduanas, somente postos fiscais.
Por tudo isso, mesmo reconhecendo, como já dissemos, que a conta a ser paga ficará mais salgada para o nosso estado, esperamos que aqueles que por aqui lançarem suas âncoras, tragam modernidade, eficiência, competência e, principalmente, ética.
Invadam a nossa praia mas sem precisar sujá-la.